Marcio Porto
12/05/2016
18:16
São Paulo (SP)

A queda de torcedores de um camarote no duelo entre São Paulo e Atlético-MG na última quarta-feira, no Morumbi, teve seus primeiros desdobramentos mais fortes nesta quinta. Após vistoria da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e da Federação Paulista de Futebol, a primeira fileira de todo o anel inferior, local do acidente, foi interditada. O São Paulo se pronunciou sobre o assunto dizendo que já concordava com a medida antes mesmo de ela ser tomada. Quem se pronunciou foi o advogado José Francisco Manssur, vice-presidente de comunicação e marketing do Tricolor. 

Manssur disse que, neste momento, o clube está focando no atendimento às vítimas do episódio. Ao todo, 16 pessoas ficaram feridas, sendo que três terão de passar por cirurgia. Uma delas é um garoto de 11 anos.

- Queria observar que sete pessoas foram internadas. Foram o Davi, o Vinicius e o Ricardo, que foram para UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e depois hospitais: o Hugo, o Anderson, a Amanda e a Daniela. O Hugo e o Anderson tiveram alta, mas como continuaram tendo dores, o São Paulo os encaminhou para uma reavaliação. O Davi, o Vinicius e o Ricardo estão sendo submetidos a procedimento cirúrgico. O São Paulo acompanhou cada uma delas. Faço uma menção aos funcionários do São Paulo que acompanharam as pessoas - declarou o dirigente, durante entrevista coletiva na sala de imprensa do Morumbi, nesta quinta. 

Além da interdição de parte do anel inferior, também conhecido como setor térreo, a Polícia Civil abriu um Boletim de Ocorrência sobre a queda e, posteriormente, um inquérito para apurar o caso. Um perito examinou o local horas após o incidente e fez críticas ao estado dos guardas-corpos que cederam. Segundo Edward Folli Júnior, que saiu do Morumbi com uma barra de ferro, houve corrosão no apoio das grades que separam os torcedores do fosso, onde caíram. Manssur não quis comentar as palavras do perito, pois elas ainda não foram oficializadas em forma de laudo.

- Ainda é cedo para dizer sobre essa perícia. Em minha experiência como advogado, sei que é preciso aguardar a validade em um laudo. Vamos aguardar o laudo da perícia e aí sim vamos tomar todas as medidas recomendadas.

Ainda não é possível dizer se é prudente trocar, se é recomendável. A partir do momento que tiver essa recomendação, o São Paulo não vai se privar de fazer isso. Contratamos duas empresas especializadas nisso para realizar uma vistoria Se disserem que é prudente, vamos trocar - afirmou o vice de comunicação e marketing.

Manssur disse ainda que não está preocupado com possível perda de mando de campo na Libertadores.

- Não estamos preocupados com o mando do campo agora, estamos preocupado com os feridos. Primeiro porque temos uma partida duríssima ainda contra o Atlético-MG. A partir de quarta-feira que vem, quem passar vai jogar dali um mês. Então isso não é prioridade para nós, a prioridade são as vítimas, que estamos acompanhando - disse.

O dirigente do São Paulo declarou irá aguardar o resultado de todas as perícias que já foram feitas no local e que o clube não se privará de tomar medidas, caso sejam julgadas necessárias. Argumentou também que desde 2011, quando um torcedor caiu em situação semelhante durante show do Pearl Jam, o Morumbi tem laudos aprovados sem que tenham sido apontados problemas no local da queda de quarta-feira. O clube tem, obrigatoriamente, de gerar laudos todos os anos para poder jogar em seu estádio. Esse documento tem aval do Corpo de Bombeiros, da Federação Paulista de Futebol, que o encaminha à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ainda segundo Manssur.

O ACIDENTE

O episódio aconteceu no segundo tempo da partida válida pela Libertadores. No momento da comemoração do gol de Michel Bastos, torcedores se aproximaram das grades, que acabaram rompendo: 20 pessoas caíram no fosso. O atendimento foi rápido com ambulâncias no gramado e auxílio até de jogadores do São Paulo. No total, 16 pessoas precisaram de atendimento médico. Houve sete remoções e três pessoas terão de passar por cirurgias. Segundo o São Paulo, todas por fratura.