Marcio Porto
04/05/2016
21:17
São Paulo (SP)

A cada dia, a cada jogo, o São Paulo ganha mais contornos da cara de seu treinador, o argentino Edgardo Bauza. Não foi diferente nesta quarta-feira, no jogo de volta das oitavas de final da Libertadores, contra o Toluca (MEX), no México. Com a vantagem de 4 a 0 feita no duelo de ida, o Tricolor de Bauza se preocupou mais em defender e levou sustos e mais sustos. No entanto, no fim entregou aquilo que pede seu comandante: no caso, a classificação, mesmo com a derrota de 3 a 1.


O São Paulo de Bauza segue sem vencer um só jogo fora de casa, mas pode recorrer ao lema de seu técnico em defesa. Assim diz o argentino: "A partir de agora, não me importa jogar bem, me importa vencer". O São Paulo não jogou bem. Longe disso. O São Paulo construiu a vaga no jogo de ida. O São Paulo "venceu". Vamos às quartas: o adversário será o Atlético-MG, que superou o Racing vencendo por 2 a 1, no Independência. É a repetição de confronto que aconteceu nas oitavas de 2013. Na ocasião, o Galo eliminou o Tricolor com duas vitórias. 

Assim como foi contra a altitude de La Paz, diante do The Strongest (BOL), Bauza repetiu a estratégia de deixar Ganso no banco e armou seu time no 4-1-4-1. Na maioria do tempo, foi possível ver os dez no campo de defesa, até Calleri. É algo que agrada seu treinador, fã do futebol praticado atualmente pelo Atlético de Madrid (ESP) do também argentino Simeone, finalista da Liga dos Campeões da Europa. O problema é que as coisas não saíram exatamente como se planejara.

O Toluca, óbvio, veio pra cima e encontrou espaços onde não deveria. A bola rondou a área do São Paulo. E o gol saiu de uma desatenção geral. O time mexicano cobrou uma falta rápida e pegou a defesa são-paulina toda desatenta, ao passo em que a bola foi morrer na cabeça de Uribe: sozinho, só empurrou para as redes.

O gol poderia culminar em uma mudança de postura do São Paulo, mas o time joga como seu técnico quer. O São Paulo não foi à frente. Seguiu cauteloso. Tomou sufoco e o torcedor certamente implorou por Ganso. Bauza não colocou e foi para o intervalo com a vantagem de poder levar dois gols que ainda assim estaria na próxima fase.

Voltou com Ganso, certo? Nada disso. Bauza tem convicção, certas ou não. E logo no início do segundo tempo o Tricolor matou o confronto de vez. Michel Bastos, que poderia ter saído para a entrada do camisa 10, dada suas falhas na marcação, escapou pela esquerda e chutou cruzado: 1 a 1. O ponto negativo: no lance do gol, Michel sentiu a posterior da coxa esquerda e teve de ser substituído. Centurión entrou.

A partir daí, a partida ficou ainda mais amistosa pelo placar, mas não pela ação dos atletas. O time de Bauza, mais enérgico, passou do ponto na emoção. Calleri, Kelvin e Centurión receberam amarelo rapidamente. Mais: no fim, Centurión cuspiu num adversário. Expulsão desnecessária. Logo ele, que ressurgiu no primeiro confronto com dois gols. Lamentável.

Antes, as bolas seguiram rondando a área do São Paulo e a equipe da casa ainda marcou com Triverio e, no fim, com Uribe. Desnecessário. A derrota por 3 a 1 não pode ser encarada como normal. Foram erros de marcação além da conta. Essa não é a cara de Bauza. Mas, não vencer fora de casa, é. Assim segue.

Os dois confrontos contra o Toluca apontam um Tricolor avassalador no Morumbi e deveras cauteloso fora de casa. Parece aquilo que seu treinador pede, fora os sustos. Na visão de Bauza, futebol é resultado. E nos 180 minutos o São Paulo foi bem superior. Se continuar assim...

FICHA TÉCNICA
TOLUCA (MEX) 3 X 1 SÃO PAULO

Local: estádio Nemésio Díez, em Toluca (MEX)
Data-Hora: 4/5/2016 - 19h15 (horário de Brasília)
Árbitro: Wilson Lamouroux (COL)
Auxiliares: Wilmar Navarro (COL) e Alexander Leon (COL)
Público/Renda: Não divulgados
Cartões amarelos: Paulo Silva e Erbín Trejo (TOL), Hudson, Calleri, Kelvin e Centurión (SAO)
Cartão vermelho: Centurión (SAO)
Gols: Fernando Uribe 17' 1ºT (1-0); Michel Bastos 5' 2ºT (1-1); Triverio 15' 2ºT (2-1) e Fernando Uribe 41' 2ºT (3-1)

TOLUCA: Talavera, Aarón Galindo, Paulo da Silva, Jordan Silva e Gerardo Rodríguez; Antonio Rios (Alejandro Navarro 23' 2ºT), Erbín Trejo (Edy Brambila 22'2ºT) e Esquivel; Cueva, Fernando Uribe e Triverio. Técnico: Gustavo Munúa

SÃO PAULO: Denis, Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena; Hudson, Thiago Mendes, Wesley, Michel Bastos (Centurión 11' 2ºT) e Kelvin (Caramelo 27' 2ºT); Calleri (Alan Kardec 12' 2ºT). Técnico: Edgardo Bauza