Marcio Porto e William Correia
19/05/2017
07:05
São Paulo (SP)

Em meio à crise são-paulina, os dois jogadores mais valiosos do elenco vivem momentos completamente opostos. Contratado neste ano, Lucas Pratto mostra qualidade além dos gols e, no período sem jogos, ganhou de Rogério Ceni a faixa de capitão. O técnico tirou da função o zagueiro Maicon, que vive declínio técnico a ponto de ver o treinador apontar um erro "medonho" seu.

A época de maior pressão no clube em 2017 divide esses jogadores que custaram alto. O Tricolor adquiriu em junho 100% do defensor, que pertencia ao Porto, por 6 milhões de euros (cerca de R$ 22 milhões) e a cessão de 50% dos garotos Luizão e Inácio. Já Pratto chegou no começo do ano por 6 milhões de euros pela metade de seus direitos econômicos.

O argentino foi mais caro, mas vem mostrando ser mais do que artilheiro. Se em campo já fez sete gols em 14 partidas pelo clube, sempre com muita entrega, fora dele ganhou de vez a confiança de Ceni. Por seu comportamento no dia a dia, é considerado um exemplo para os mais jovens e, não à toa, após 18 dias sem partidas, voltou como capitão.

A tarja é um símbolo da ascensão de Pratto dentro do elenco. Coube a ele, por exemplo, dar uma entrevista coletiva bastante realista no dia seguinte à terceira eliminação seguida do time na temporada, na semana passada. Por isso, é apontado como uma espécie de Lugano com mais participação em campo. Internamente, virou peça-chave para Ceni durante a crise.

Maicon já ouviu todos esses elogios, mas vem perdendo cada vez mais espaço. Tem os mesmos 28 anos de idade do argentino (é apenas três meses mais novo), só que tem passado a impressão de que sente a turbulência atual. Um dos sinais de que Ceni sentiu isso foi exatamente a decisão de lhe tirar a faixa de capitão que ele usava desde o ano passado.

A maior prova do descontentamento com o camisa 27 ocorreu no domingo. O zagueiro foi decisivo na derrota para o Cruzeiro, quando chutou a bola pela lateral, se desconcentrou e viu os rivais correrem à área para balançar as redes. Ceni chamou seu erro de "medonho". E não foi o primeiro, já que, contra o Mirassol, Maicon tentou um drible e cedeu um gol ao adversário.

O São Paulo, contudo, ainda considera o momento de Maicon apenas uma fase. A comissão técnica crê que o jogador pode voltar a render como antes, quando justificou o alto valor de sua transferência. Mas, na comparação com o outro nome que veio a peso de ouro, ele está muito atrás de Pratto atualmente.