Luiz Antonio Cunha

Luiz Cunha, novo diretor de futebol do São Paulo 

Marcio Porto
31/03/2016
15:11
São Paulo (SP)

Novo diretor de futebol do São Paulo, Luiz Cunha é fã de Carnaval. Acompanha, há muito tempo, o Desfile das Escolas de Samba, principalmente do Rio de Janeiro, de onde vem a escola do coração: Acadêmicos do Salgueiro. E o que isso tem a ver com o time comandado por Edgardo Bauza? É na escola do bairro do Andaraí, no Rio, que Cunha encontra inspiração para atender o desejo do argentino de contar com reforços.

Abrir mão do trabalho de Bauza neste momento nem passa pela cabeça de Luiz, que chegou ao profissional demitindo Milton Cruz, há 22 anos no clube. Segundo o diretor, há respaldo total ao argentino e no meio do ano os reforços virão. Ele volta no tempo, em 1986, para relembrar o samba enredo da escola, que cantou "Tem Que Se Tirar Da Cabeça Aquilo Que Não Se Tem No Bolso".

- Se eu pudesse expressar em uma só palavra nossa relação com o Bauza, seria confiança. Depois diria amparo, resguardo, diálogo. Estamos conversando bastante. Sabemos que ele quer e precisa de reforços, mas que não temos todas as condições econômicas para trazer esses jogadores. Uma vez minha escola de samba, a Salgueiro, fez um samba que dizia: tira da cabeça o que do bolso não dá. Temos que ser criativos para buscar uma forma de reforçar a equipe. Com empréstimos, trocas... Vamos ser criativos, podem esperar, mas ainda não temos ninguém na ponta da agulha. Estamos observando o mercado, escolhendo os alvos para na hora certa atacar - analisou Luiz Cunha, em entrevista ao LANCE!.

Após o empate por 1 a 1 contra o Linense, na última quarta-feira, com gol nos acréscimos, Bauza voltou a falar na necessidade de ter entre três e quatro reforços no meio do ano. Técnico também disse que viu evolução no time. Luiz Cunha, em tom mais moderado, até concorda.

- Vi uma evolução de empenho, mais e mais e mais. Infelizmente as coisas não dão certo. Um gol de penalidade daria outro cenário à partida. Até o pênalti, jogamos muito bem - afirmou o cartola, referindo-se à cobrança desperdida por Michel Bastos, no primeiro tempo, quando o embate ainda estava 0 a 0.

O diretor de futebol, no cargo há duas semanas, também falou sobre a situação de Michel Bastos. Assim como ao técnico, deu apoio total ao meia. Disse que conversou com ele após o jogo, em que novamente foi perseguido pela torcida. Michel cogita ir embora, mas se depender de Luiz, isso não acontecerá.

- Interpreto as declarações dele como um desabafo natural de um atleta que se empenhou a fundo para ganhar a partida, estava jogando bem, foi corajoso de bater o pênalti e infelizmente a trave ficou no meio do caminho. Isso deu uma caída natural no ânimo dele, algo natural do ser humano. A partir dali, com as coisas não dando certo para o time, ele passou a ser alvo de vaias. Foi uma reação intempestiva e natural de um atleta brioso que gostamos muito e contamos com ele. Disse a ele na semana passada que daria todo resguardo e cobertura para ele. E fiz isso ontem. Estava no vestiário no intervalo, o abracei e disse que ele tem nossa confiança. Fiz o mesmo depois do jogo - disse Luiz Cunha, que ainda acredita na "anistia" por parte da torcida.

- Penso que precisamos de uma grande atuação à altura do futebol do Michel para readquirir a simpatia daqueles torcedores que o estão acusando de uma coisa que absolutamente ele é culpado. O time todo não está bem, mas vai voltar a jogar bem justamente com o Michel.

Cunha começa com posição firme e tem agradado nos bastidores. Precisará, porém, de resultado melhor do alcançado pela Salgueira no Carnaval de 1986, quando ficou com o sexto lugar com o enredo em questão.