Renê Santana*
21/04/2016
14:14
São Paulo (SP)

Dez anos, hoje faz, que Telê se foi. Renê, seu filho, escreveu este texto e resolveu publicar.

Foi embora do interior de Minas, na boleia de um caminhão, e resolveu buscar seu sonho no Tricolor Carioca, seu time de coração. Personalidade forjada no minério de ferro gusa. De Itabirito, por São João Del Rei e Rio de Janeiro.

Em seu primeiro jogo amistoso, meteu cinco gols e conquistou lugar cativo para discorrer, por 12 anos, sua sutil técnica em muitas lutas e batalhas. "Muito me estranhava que não saísse de maca ou padiola dos certames", já dizia Nelson Rodrigues. Dizia também "nunca ter visto jogador tão leal com seus companheiros, seus adversários e como o povo".

Esta sua história de crack foi a universidade onde formou-se professor em vencer e convencer. Como ser bom e cada vez melhor, o caminho correto e único das conquistas. Em gratidão ao Liceu, pagou em títulos no Rio de Janeiro. Quebrou grande hegemonia gaúcha do Internacional. Deu Grêmio. Deu a Minas o primeiro Campeonato Brasileiro, em 1971. Ali aprendeu que para enfrentar a agressividade e a violência na América, não adiantava retribuir.

Não era essa a "nossa". Quis o destino que fosse só com o São Paulo, quando colocou em prática cirúrgica a revolução pela sutileza da técnica, no jogo do espetáculo. Derrubou o mito de jogo bruto, jogava o Futebol Arte, nascido em nossos campos e várzeas deste país-continente, tão admirado por Vargas Llosa.

De Cafu, passando por Raí e até Ronaldão. Encantava pelo jogo veloz de Müller e Palhinha, capitaneados pela experiência de Cerezo. Tudo isso com liberdade de criação, a mais completa tradução de toda a sua filosofia!