Carlos Miguel Aidar

Carlos Miguel Aidar foi presidente do São Paulo três vezes e agora expulso (Foto: fotografa Ale Cabral)

Marcio Porto
26/04/2016
16:23
São Paulo (SP)

José Roberto Ópice Blum não entra em campo, mas hoje é uma figura central no São Paulo. O advogado foi o condutor do processo que culminou na expulsão de Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro do Conselho Deliberativo do clube. O presidente do Comitê de Ética deixou a reunião elogiado por uns e muito criticado por outros pela forma como agiu no histórico episódio político.

Desembargador tido como de "pulso firme", Ópice Blum recebeu acusações de favorecimento a Aidar por parte de situacionistas. Segundo essa ala, próxima do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, Blum agiu em nome da amizade com o também advogado e teceu um parecer que amenizou a situação do ex-presidente. Dizem, por exemplo, que o acordo com a Under Armour, que gerou comissão milionária à empresa Far East e teve o nome da namorada de Aidar envolvido, foi ignorado no relatório. Na negociação, a Far East, de propriedade de um empresário conhecido como Jack, tinha direito a R$ 18 milhões como intermediária.

Ataíde Gil Guerreiro (Foto: Carlos Cecconello)
Ataíde Gil Guerreiro, ex-vice de futebol do SP (Foto: Carlos Cecconello)

Ainda de acordo com conselheiros ligados à situação, o parecer da Comissão de Ética focou mais na participação de Cinira Maturana, namorada de Aidar, na fracassada negociação do zagueiro Rodrigo Caio com o Atlético de Madrid (ESP). O relatório apresentou provas de que Cinira esteve em Madri para interferir nas tratativas, algo admitido por Aidar. O ex-presidente teve seus direitos políticos cassado após 142 votos favoráveis. De acordo com relato de quem esteve na reunião, ele deixou o Morumbi rindo. Chegou a ser aplaudido quando discursou.

Ao mesmo tempo, essa mesma ala acredita que Blum foi impiedoso com Ataíde Gil Guerreiro. O argumento maior fala de exagero. No parecer concluído pelo desembargador, ele diz que Gil Guerreiro cometeu uma "tentativa de homicídio" contra Aidar no episódio da briga entre os dois em um hotel na capital paulista. Ataíde admitiu que pegou Aidar pelo pescoço, mas negou que tenha dado um soco no ex-presidente. O ex-vice de futebol foi expulso do Conselho com 120 votos favoráveis e saiu do Morumbi indignado. Disse, inclusive, que iria pedir demissão imediata do cargo de diretor de relações institucionais, o qual exerce desde que saiu do futebol.

Por outro lado, há os conselheiros que consideraram a atuação de Ópice Blum como bastante positiva para o São Paulo. Citam a larga diferença na votação a favor das expulsões e dizem que o advogado cumpriu com seu dever. A agressão de Ataíde a Aidar, na visão desses interlocutores, manchou o nome da instituição e por si só era motivo da expulsão. 

Há, no entanto, uma opinião praticamente unânime no São Paulo: de que Ópice Blum saiu fortalecido do processo e que impôs uma dura derrota ao presidente Carlos Augusto de Barros e Silva. Isso porque Leco se mobilizou para defender o amigo Ataíde, membro de sua diretoria desde que assumiu no lugar de Aidar, em outubro do ano passado. A larga votação a favor da expulsão de Ataíde é vista como um alerta para Leco nas eleições de 2017, quando o atual presidente tentará se eleger para um novo mandato.

A reportagem tentou contato com Ópice Blum, Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro para comentar o assunto, mas os telefones dos são-paulinos estavam desligados.