Bruno Grossi
09/07/2016
07:05
São Paulo (SP)

A novela sobre o futuro de Paulo Henrique Ganso pode não ter enredo tão dramático como na saída do Santos em 2012. São Paulo, estafe do atleta e DIS, grupo investidor que detém a maioria dos direitos econômicos do meia, estão cada vez mais alinhados em discurso e postura. Assim, a saída para o Sevilla (ESP) é questão de tempo.

O clube espanhol tem em mãos uma segunda proposta, que só será analisada pelo Tricolor após o fim da Copa Libertadores da América – o que pode acontecer na próxima quinta-feira. A nova oferta é de 9 milhões de euros (cerca de R$ 33 milhões). O valor pode até estar distante do considerado ideal, mas o clube paulista sabe que pode precisar aceitá-lo para não perder o negócio. Já a DIS acredita que as cifras estão mais próximas do esperado.

– Acredito que seja o momento de negociá-lo. Em breve ele poderá sair sem custos e não é isso o que ele deseja. Não quer prejudicar ninguém, assim como nós não queremos atrapalhá-lo. Particularmente tenho um carinho muito grande pelo Paulo, o trato como um filho. E sei o quão importante para ele seria sair para a Europa. Também sei que seu Delcir (Sonda, dono da DIS) fará o mesmo. Vamos resolver isso – disse o diretor do grupo, Roberto Moreno, ao L!.

São Paulo tem 32% dos direitos econômicosde Ganso. A DIS tem 68%

Uma forma de acelerar o processo da venda é São Paulo e DIS redistribuírem os direitos econômicos do Maestro. Pelo formato atual, o Tricolor ficaria com cerca de R$ 11 milhões do dinheiro investido pelo Sevilla – quase R$ 6 milhões a menos do que foi pago em 2012. A DIS já atingiria pequeno lucro do que investiu na carreira de Ganso, mas está aberta a negociar parcela de seus direitos. Mas tudo precisará ser bem amarrado pelos tricolores.

– Não tem nada definido sobre mudar essa divisão. Ainda não temos a nova proposta do Sevilla em mãos, mas podemos sentar e conversar, é claro. Tudo pode ser discutido. O que não pode é a DIS, que sempre teve a maioria dos direitos do Ganso, não ficar com a maior parte do dinheiro. Mas vamos esperar, sentar e discutir. Não há pressa, todos sabem e aceitaram que é preciso esperar acabar a Libertadores. Até o Sevilla está ciente – completou.

Apresentação de Jorge Sampaoli no Sevilla
Sampaoli assumiu o Sevilla recentemente (Foto: Cristina Quicler / AFP)

QUEM PENSA O QUÊ?

São Paulo

Uma das únicas condições já impostas pela diretoria do São Paulo foi a de não discutir a segunda proposta do Sevilla, da Espanha, antes do término da participação do clube na Copa Libertadores – equipe vai enfrentar o Atlético Nacional na próxima quarta. Antes, ainda com o diretor de futebol Luiz Cunha, a prioridade era renovar com Ganso a qualquer preço. Depois, com a austeridade do diretor-executivo Gustavo Oliveira e o desejo do meia em sair, a velocidade foi reduzida. Para renovar, hoje, o Tricolor terá de oferecer o que não pode. E também não há margem para prendê-lo demais sem perder o negócio ou desmotivar o meia.

PH Ganso

​Ganso sempre teve como sonho atuar no futebol europeu. Desde que deixou o Santos e foi para o São Paulo, apenas o Napoli (ITA) esteve perto de formalizar proposta, afastada após o ex-presidente Carlos Miguel Aidar chamar os dirigentes do clube italiano de membros da máfia camorra – fato irritou os europeus na ocasião, que desistiram do negócio. Com o Sevilla na Liga dos Campeões e como vitrine para equipes maiores, o Maestro se animou. A insistência do técnico argentino Jorge Sampaoli em tê-lo também causou empolgação no meia. Ganso não quer deixar o São Paulo e nem a DIS na mão, por isso crê que ser vendido agora seja bom para todos.