São Paulo x Atlético-PR

Militão jogou como zagueiro pela esquerda e se desdobrou para fechar bem seu setor (Jales Valquer/Fotoarena)

William Correia
20/04/2018
08:00
São Paulo (SP)

A torcida pede, por conta da tradição vencedora, e Diego Aguirre passou a apostar no esquema com três zagueiros para dar liberdade a seus laterais. Mas o empate por 2 a 2 diante do Atlético-PR, nessa quinta-feira, no Morumbi, que eliminou o São Paulo na quarta fase da Copa do Brasil, expôs que a tática atual ainda está longe de ser tão segura quanto o 3-5-2 que rendeu títulos do Brasileiro, da Libertadores e do Mundial ao clube na década passada.

O principal desajuste está na recomposição dos alas sem a bola. A transição para uma linha de quatro defensores quando o time está sendo atacado ficou inviável porque Militão jogou como zagueiro pela esquerda, novidade que deu certo defensivamente porque Nikão pouco fez pelo Furacão. Mas Régis, ala-direito, não voltava como deveria, e foi em cima desse desequilíbrio que o time paranaense construiu sua classificação.

Militão é um dos trunfos da variação de esquema, já que tem compreensão tática para alternar-se como zagueiro e lateral-direito. Já que ele foi escalado como zagueiro pela esquerda, seria Régis quem deveria recompor mais, mas ele não teve a disposição necessária, como ficou claro no lance do segundo gol do Atlético-PR, no qual Régis não seguiu na jogada para evitar o cruzamento que encontrou Rossetto livre para balançar as redes.

Foi nesse desajuste dos alas que Fernando Diniz baseou sua intensa troca de passes e posição, ganhando o campo tricolor. Rossetto se encaixou bem no vácuo que ficava entre Militão e Liziero do lado esquerdo, e acabou sendo de Liziero o pênalti que mudou a partida, no fim do primeiro tempo.

Na volta do intervalo, ficou ainda mais evidente como as costas dos alas eram um convite ao Furacão. Não só Rossetto, pela direita, como Carleto, do outro lado, eram figura frequentes sem marcação na área de Sidão, tanto que Carleto estava à vontade para chutar na trave quando o placar já apontava 2 a 2.

Se Militão até conseguia dar conta do recado por seu lado, Arboleda parecia perdido na direita, sem a cooperação de Régis para bloquear o setor e manter a vantagem no placar. Quando Jucilei se aproximava do zagueiro equatoriano para ajudar, Guilherme ou quem revezava pela cabeça de área adversária tinha espaço para fazer o clube curitibano avançar.

Como o São Paulo mal conseguia tirar a bola dos pés dos comandados de Fernando Diniz, ficou um cenário em que as qualidades ofensivas mostradas no primeiro tempo pouco apareciam. A intensa troca de movimentação de Nenê e Valdívia, que compensavam até a pouca participação de Tréllez, e a proximidade de Petros perdiam eficiência à medida que o fôlego diminuía e a pressão aumentava. Pouco adiantou Diego Aguirre colocar Diego Souza, Cueva e Lucas Fernandes ao longo do segundo tempo.

Em 34 minutos, o Tricolor fez o 2 a 0 que garantia a classificação. Bastava um esquema defensivo mais ajustado para manter o placar. O que ficou inviável em uma tática com três zagueiros usada só pelo terceiro jogo com o técnico uruguaio, e sem poder contar com Militão mudando de função com facilidade, já que o técnico não encontrou marcadores confiáveis o suficiente para barrar Nikão. Um claro caso de coberto curto que tirou o São Paulo da Copa do Brasil.

Confira o posicionamento que não passou segurança defensa nessa quinta: