Cicinho - Sao Paulo

Cicinho posa para foto  no site oficial do Sivasspor, seu clube na Turquia desde 2013 (Foto: Divulgação)

LANCE!
17/01/2016
08:15

Cicinho estava rumo ao Aeroporto de Istambul, na Turquia, para buscar a esposa e a filha quando atendeu ao LANCE! na última sexta-feira. Dois dias antes, havia publicado vídeo no Facebook para falar do desejo de voltar ao São Paulo, inspirado pelo retorno do amigo Diego Lugano. E, nesta entrevista, explicou as razões para ter pedido uma nova chance de defender o Tricolor.

– Tenho esse perfil para manter contato com a torcida e via que muita gente falava para eu voltar, principalmente depois de o Lugano chegar. Resolvi dar uma satisfação falando que esse era meu sonho. Repercutiu muito, foi algo grande, e fiquei feliz pelo carinho. Não é forçar, porque tenho contrato no Sivasspor (TUR), simplesmente respondi à torcida – disse o lateral-direito.

Aos 35 anos, Cicinho tem somente mais seis meses de contrato com os turcos do Sivasspor, clube que defende desde 2013 e que não impôs multa rescisória para o vínculo. Apesar da idade avançada, o defensor tem conseguido atuar na maioria dos jogos da liga local, somando 93 partidas, três gols e 33 assistências nas últimas três temporadas. Na atual, participou de 17 dos 18 compromissos da equipe no Campeonato Turco, do qual foi o melhor lateral duas vezes.

– Aqui não tem muito treino, a prioridade é jogar. Estou jogando todas sem dor e sem lesão. Aos 35 anos poder correr assim está bom. Não tive nenhuma lesão desde o Sport, em 2012. Agora, se o São Paulo fizesse uma oferta, eu voltaria sem sombra de dúvida. Meu sonho é esse. Posso sair sem pagar nada aqui, não tem nada que dificulte, mas ninguém me procurou ainda – explicou.

Sem empresário, o lateral tricampeão da Libertadores e do Mundial em 2005 tem contado com a ajuda de amigos para achar ofertas. Ele sabe que o fim da carreira se aproxima, mas não se preocupa. Apoiado na religião, ele afirma ser outra pessoa, muito diferente daquela que teve volta irregular ao clube do Morumbi em 2010 devido a problemas extra-campo. A nova vida o faz até abrir mão do salário em euro que recebe na Turquia para se enquadrar na realidade financeira são-paulina.

– R$ 300 mil (teto salarial tricolor) é quase o que ganho aqui. Sei que o euro está alto, mas dinheiro não é problema. Sou uma pessoa muito mais realizada do que em 2010, e mesmo assim abri mão de 30% do meu salário para voltar. Hoje o que me move é o sonho de vestir a camisa tricolor na Libertadores. Se eu me aposentar sem voltar, também não me frustro. Fiz o que tinha que fazer pelo São Paulo – reconheceu o lateral.

Confira bate-papo exclusivo com Cicinho:

Bauza disse que gosta de atletas experientes para liderar o elenco, Você tem esse perfil?

Perfil de líder nunca tive, mas sempre fui disposto a suar a camisa para vencer. Se eu não tivesse feito isso, não teria tido sucesso por onde passei. E minha condição física ainda me permite fazer isso. Fui o melhor lateral dois anos seguidos na Turquia, líder de assistências e jogando quase todos os jogos inteiros na temporada.

E ao Sport, também voltaria?
Vivi momentos muito bons (em 2012), mas tive problemas com uma pessoa e prometi que nem visitaria o clube enquanto ele estivesse lá. Ele saiu e agora espero poder visitar os amigos. É um clube muito sério, mas no Brasil só conseguiria jogar no São Paulo. Não tem jeito, é o clube do coração.

Você perdeu o jogo de despedida de Rogério Ceni. Ficou frustrado?
Isso me frustrou, fiquei triste. Mas só de saber que a torcida gritou meu nome me fez reacender a vontade de voltar. Me mandaram o vídeo e me arrepiou lembrar do Morumbi cheio.