Bruno Grossi
08/12/2016
06:35
São Paulo (SP)

Rogério Ceni alcançou quase todos objetivos possíveis para um jogador profissional. Rachou recordes, acumulou taças e conquistou o mundo e o posto de maior ídolo da história do São Paulo. Hoje, 362 dias após se aposentar dos gramados, o Mito voltará a ser desafiado no futebol. A carreira como técnico começará às 12h, no simbólico auditório Telê Santana, no CT da Barra Funda.

O presidente Carlos Augusto de Barros e Silva e toda cúpula tricolor devem estar presentes, bem como funcionários e sócios-torcedores sorteados para o evento especial. Mas o clube tenta de tudo para evitar um clima de festa, de otimismo exacerbado sobre um treinador prestes a iniciar seu primeiro trabalho. Tanto é que o elenco que será comandado por Ceni teve o treino transferido para o Pacaembu.

Na história são-paulina, três grandes goleiros do clube já se aventuraram como técnicos. José Poy, arqueiro por 524 partidas entre 1949 e 1962, treinou a equipe em diversas passagens entre 1963 e 1983. Em 1975, atingiu seu ápice com o título do Campeonato Paulista. Depois, Waldir Peres, goleiro entre 1973 e 1984, também trabalhou à beira do gramado, mas sem nunca comandar o São Paulo. O chileno Roberto Rojas, que jogou em 1987, voltou para ser preparador de goleiros e, em seguida, treinador, quando levou a equipe à Libertadores em 2003, depois de dez anos ausente.

Por fim, o antecessor de Ceni na meta tricolor e no posto de maior goleiro da história do clube também seguiu o mesmo caminho. Zetti, bicampeão mundial e da Libertadores em 1992 e 1993, colecionou trabalhos em times de menor expressão e nunca se aproximou do sucesso como goleiro no Morumbi. E é por isso que faz um alerta para o Mito.

– O Rogério tem conhecimento, sabedoria, é vencedor, ídolo e está no caminho certo. O negócio é transformar isso e a garra que ele tinha em mensagem para os jogadores entenderem. Esse é o grande desafio dele e foi minha maior dificuldade. Eu queria que o atleta fizesse o que eu pensava, mas a resposta não vinha – confessou Zetti ao LANCE!, antes de apostar em sucesso do amigo:

– Ele teve preparação diferente, estudou fora, com uma outra filosofia. Eu só fiquei na base para entender como nasciam os jogadores e como reagir diante de um grupo como treinador, e não mais como goleiro. É preciso perder esse cordão umbilical da vida de atleta – aconselhou.

Com a palavra - Zetti:


"Achei bacana a decisão do Rogério Ceni de já assumir o São Paulo como treinador. A experiência dele é fantástica, é um cara que tem superações grandes na carreira. Acredito que precisará de equilíbrio para transformar tudo o que aprendeu em mensagem, em palavras para os jogadores.

Ele precisa de paciência, aos poucos vai achar o caminho para conduzir o grupo aos bons resultados. Já o clube tem de dar tempo, algo que não existe em nossa cultura. O São Paulo não pode prometer que no final de 2017 será campeão de tudo.

Se acontecer, ótimo, mas não pode ser meta. Tem de montar elenco competitivo, encaixar um time forte. Tempo, todos precisam de tempo. Para conhecer o trabalho de verdade, precisará de tempo e do clube estar preparado para isso, para cuidar de um grande ídolo".