LANCE!
05/07/2016
17:31
São Paulo (SP)

"Nessa partida, não adianta atacar como um louco. Tem de se atacar bem. A torcida pode ficar tranquila, encontrará um time que entregará tudo para vencer. São 180 minutos, esses serão os primeiros 90 e nada mais". 

Assim, o argentino Edgardo Bauza descreveu a primeira semifinal da Copa Libertadores 2016. Nesta quinta-feira, o São Paulo entra em campo às 21h45 para enfrentar o Atlético Nacional, da Colômbia, no estádio do Morumbi. Sereno, Patón tratou de pedir calma à torcida e alertou que o Tricolor não se jogará desordenadamente ao ataque. Afinal, são 180 minutos de jogo antes da tão sonhada vaga à final. 

- Nessa partida não se pode atacar desde o primeiro minuto como um louco. Tem de se atacar bem. Vamos jogar contra uma equipe grande. Na hora de atacar tem também de recompor. A torcida pode ficar tranquila que encontrará um time que entregará tudo. Oxalá a gente vença para concluir em Medellín. São 180 minutos, precisa estar tranquilo. Esses são os primeiros 90 minutos e nada mais - disse, e completou: 

- São várias as razões pelas quais tenho dúvidas quanto à formação. Porém, o que não tenho dúvida é que equipe que armemos, vai deixar a vida para classificar. 

Entre dúvidas, Patón também tem algumas certezas com relação à escalação: Paulo Henrique Ganso e Kelvin estão fora do primeiro jogo. O volante Hudson e o lateral-esquerdo Mena ainda têm chances de estar em campo. Sem confirmar o time, analisou possíveis vantagens que o Atlético Nacional possa ter em encarar o Tricolor desfalcado. 

- Tivemos também problemas com Hudson, que está se recuperando, Kelvin e Ganso não jogarão a primeira partida. Mena se recuperou muito bem, porém vamos trabalhar hoje e esperar que responda bem para poder confirmá-lo. Hoje não poderei confirmá-lo. Tenho que ver. Se está Ganso no campo, teríamos a qualidade dele, a visão de jogo importante. Porém o São Paulo também tem outras virtudes. Não temos Ganso, mas vamos entrar com a gana de vencer a partida. É semifinal e não importa como se jogue. Teremos de classificar e é o que vamos buscar. Estamos com a cabeça na partida, sabendo e conhecendo o rival. E tratando de fazer uma grande partida para classificar - afirmou. 

Nem mesmo o Morumbi impulsionou Bauza a falar que o São Paulo irá dominar o confronto inicial com os colombianos. Neste ponto da entrevista, o argentino voltou a citar a tão usada ''jerarquia''.

- Obviamente que é imponente, e a torcida vai ajudar. Mas nessa instância, esses fatores já não são tão pesados. Porque são jogadores experientes, de 'jerarquia'' e o mais importante é o que passa dentro do campo.

Confira outros pontos da coletiva de Edgardo Bauza:

Reinaldo Rueda, técnico do Nacional de Medellín
Falamos bastante, quando era técnico de Equador e eu estava na LDU. Sei como pensa futebol, conheço suas ideias. Quem sou eu para falar da história dele, formou grandes equipes e a filosofia do Nacional. Por isso disse que será uma partida difícil

Por que a atuação do time é tão diferente na Libertadores e no Brasileiro? 
Difícil determinar as diferenças. Quem sabe um psicólogo poderia aplicar melhor. No Brasileirão, se a gente perde como perdemos, sabemos que tem muitas partidas para se recuperar. Na Libertadores, se sofremos, voltamos para casa. Isso é essencial. E todos os jogadores focam de maneira diferente. Por isso digo que não pode cometer erros. Erros nesse tipo de partida te deixa fora.

Experiência de bicampeão pode ajudar?
Os técnicos como cabeça de grupos são importantes, porque tomamos decisões, somos encarregados. Mas o mais importante são os atletas. Nós demos ferramentas para utilizá-las. Mas eles são importantes. Minha experiência serve para comentar aquilo que pode acontecer com antecedência, a ansiedade, que dormem pouco. Trato de contar o que vai passar, e tranquilizá-los. Mas o mais importante é dentro de campo.

Razões para o São Paulo estar na semifinal da Libertadores
Pelo trabalho que realizamos e o crescimento que teve a equipe. E uma grande vontade dos atletas. Captaram a ideia, tomaram para si. Já disse várias vezes, São Paulo hoje tem uma identidade. Alguns podem não gostar, outros não, mas não importante. Os atletas sabem como tem de jogar. Os resultados não foram os melhores no início. Mas conforme fomos trabalhando, os atletas foram dando importância à ordem e o time começou a crescer. E chegamos com muito mérito. Deixamos Atlético-MG, Toluca, fomos a La Paz, houve momentos muito difíceis, como agora. E a equipe demonstrou personalidade e uma identidade muito cara

Ytalo é quem vai substituir PH Ganso? 
Tem grandes chances. Ontem trabalhamos com ele um pouco. Hoje vamos trabalhar de novo. Se não for ele, tem de ser um jovem, e aí custaria muito. Não descarto, mas não creio. É uma lástima não ter Ganso, porque perdemos um jogador para a combinação das jogadas. 

Quem perdeu mais? São Paulo ou Atlético Nacional? 
O preferido era jogador em seguida. É difícil dizer quem perdeu mais. Nacional se forem algumas e chegaram outros. Nós tivemos muitas lesões. No total, seis importantes de quase titulares. Alguns se recuperaram e outros, não. Não chegamos na mesma condição que terminamos na última partida. Porém, não é desculpa. Vamos jogar uma semifinal, uma partida que todo mundo queria jogar. Vamos ter uma entrega total para tentar ir à final. Se vão enfrentar duas equipes que à sua maneira são diferentes. Nacional foi uma equipe muito igual em toda a Copa, nós fomos de menos a mais. Porém, estamos entre os quatro melhores, alguma virtude devemos ter. Vamos tentar chegar à final, sabendo que teremos uma partida muito difícil.

Capitão: Hudson ou Maicon? 
Não sabemos se vai poder jogar. Vamos saber no treinamento. E depois determinar quem vai ser o capitão. Não é alto determinante. Há três ou quatro que podem ser. É o que menos me preocupa.

Semifinal mais difícil da carreira? 

Não, não. Não dá para dizer que Boca vai classificar sobre Independiente del Valle porque tem mais história. Quando começa a história fica de lado e joga outra história. Vamos enfrentar uma equipe que foi a mais regular da Libertadores. Os erros se pagam caro.