Ataide Gil Guerrero

Ataide Gil Guerreiro não é mais homem forte do futebol do São Paulo (Foto: Divulgação)

Marcio Porto
21/03/2016
13:44
São Paulo (SP)

Remanejado do cargo de vice-presidente de futebol para diretor de relações institucionais do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro disse que errou ao aceitar o cargo para chefiar o principal departamento do clube. Ele começou como homem forte do futebol no início da gestão Carlos Miguel Aidar, em abril de 2014, e se manteve até semana passada, quando foi anunciada sua troca por Luiz Antonio Cunha, apresentado nesta segunda.

- Meu maior erro foi ter aceitado o cargo lá atrás. Eu não pensei no que poderia acontecer. O maior acerto é a modernização que estamos fazendo, um trabalho de scout, que está ficando pronto. Na base, o trabalho que estamos fazendo. Vocês vão ver no futuro os jogadores, além dos que estão aqui. Esse intercâmbio vai ser cada vez maior - avaliou o dirigente, que agora tratará de assuntos mais institucionais no São Paulo.

Ataíde deixou o cargo mais importante do futebol do clube mal quisto por torcedores e conselheiros, que há tempos pediam sua saída. E ele admite que a pressão no presidente Carlos Augusto de Barros e Silva pesou para a mudança.

- Há dois lados. Um do conselho e outro da torcida. Se um dos lados fosse favorável, poderia seguir na luta. Mas não tinha. Tinha restrição total da torcida e de grande parte do Conselho. Desse jeito, era ruim seguir assim. O reflexo caía sob o presidente. A pressão ia para cima dele também - afirmou Ataíde, observado pelo presidente Leco e seu substituto, Luiz Antônio Cunha.

Ataíde era criticado muito por blindar o CT da Barra Funda, o que era interpretado como se ele fosse o dono do clube por seus opositores. Entre os torcedores, havia muita bronca das organizadas. Ele também teve polêmicas com os torcedores, como quando disse que os são-paulinos eram bom para reclamar, mas não iam ao estádio. Desculpou-se depois. E teve os resultados. Ataíde disse ano passado que sairia do cargo se não conquistasse título. Ao fim da temporada sem taças, pediu mais uma chance e permaneceu. Também foi o pivô da saída de Carlos Miguel Aidar, ao gravar uma conversa que gerou a renúncia do ex-presidente.

- No ano passado, tivemos a perda de um time de futebol, por vendas e depois no fim de ano, jogadores que eram fundamentais dentro do São Paulo, que decidiam. A partir daí, trouxemos um técnico que colocasse organização no futebol, e dentro daquilo que tínhamos, sabendo que tínhamos necessidades de reforços. E não tínhamos recursos, agora o Leco está fazendo esforço para que tenhamos esses reforços. A partir daí, esses resultados não vindo, fiquei em situação complicada, da torcida e do conselho. Durante esse tempo, as coisas cresceram e cresceram muito. E tinha o Leco tentando segurar minha posição para eu não sair totalmente derrotado. Aí tivemos uma conversa na sexta, ele é meu amigo, e eu disse pra ele, a situação está complicada. E ele disse: é verdade. Qualquer coisa que acontece a culpa é sua. E decidimos - finalizou Ataíde, que agradeceu aos jornalistas pela relação que manteve em cerca de dois anos.