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25/08/2015
08:02

Mazola saiu do São Paulo, mas o São Paulo não sai de Mazola. Aos 26 anos e depois de rodar o mundo, o atacante do Ceará, adversário do Tricolor nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, ainda mantém vivo o sonho de voltar ao clube que o revelou. Natural, afinal hoje defende o atual lanterna da Série B. Mas a surpresa vem quando ele revela seus planos para o retorno. 

– Meu sonho é poder estar bem, fazer um campeonato legal para um dia voltar para o São Paulo e poder fazer um gol. Quero vestir a camisa do São Paulo e homenagear o meu pai com um gol. Dinheiro no mundo paga isso. Quando fizer isso, pronto, posso parar. Quero encerrar minha carreira no São Paulo – declarou o jogador, em entrevista ao LANCE!, no Centro de Treinamento do Ceará.

Para entender o humilde sonho é preciso voltar no tempo e relembrar episódios muito tristes, que o atleta não consegue contar sem que caíam lágrimas do seu rosto.

Mazola com a camisa do São Paulo, em 2009 (Crédito: Tom Dib)

Até os nove anos, ele fugia da mãe para encontrar o pai - eram separados -, do qual orgulha-se de carregar o nome. Mas, aos 35 anos, o Mazola pai perdeu a guerra para as drogas. E o filho perdia seu maior incentivador. O resultado foi a saída prematura de casa, para viver nos alojamentos da Portuguesa. Ele nunca mais voltou para a casa da mãe depois disso.

– Apesar de tudo que ele fazia, eu só queria estar ao lado dele. Cansei de dormir abraçado com ele na rua, mesmo ele drogado. Ele era são-paulino fanático e quando vesti a camisa do time, só lembrei dele. Foi uma emoção muito grande quando estreei por isso – afirma o "Mazolinha", com os olhos marejados.

- Meu pai sempre me levava para treinar, ainda na Portuguesa. Ele sempre dizia: se eu pagar a passagem não teremos dinheiro para comer. E aí passava por baixo da catraca. Daí na linha que fazíamos um cobrador deixava a gente passar. E meu pai sempre falava para ele que um dia ele ia me ver famoso. Por isso, quando cheguei ao profissional, levei uma camisa para esse mesmo moço e ele chorava demais, dizendo: "Viu, seu pai poderia estar aí para te ver - completa.

Por isso mesmo, Mazola diz que se arrepende do desabafo feito ano passado, quando marcou pelo Figueirense contra o São Paulo, no empate por 1 a 1 Morumbi, pelo Brasileiro. Na ocasião, ele encobriu Rogério Ceni e, na comemoração, mandou a torcida do Tricolor se calar. Se arrepender.

Passado o tempo, certo é que cena não poderá se repetir nesta quarta, pois Mazola já defendeu o Figueirense na Copa do Brasil. Sorte dos são-paulinos e um alívio para quem sonha com um gol a favor.

A TRAJETÓRIA

No São Paulo
Mazola chegou ao São Paulo nas categorias de base, com 15 anos, depois de se destacar no Ituano. É da mesma geração do volante Wellington, hoje no Internacional, o meia Oscar, do Chelsea (ING), e o atacante Henrique, do Coritiba. Foi promovido em 2008, quando estreou na Copa Sul-Americana, na eliminação para o Atlético-PR. Disputou apenas três jogos, dois em 2008, e um, em 2011. Não marcou gol.
......................
Rodou o mundo
Não aproveitado no São Paulo, o atacante passou a ser emprestado constantemente. Em 2010, atuou pelo Toledo-PR, Paulista-SP e Guarani-SP. Voltou ao Tricolor em 2011, mas teve apenas uma chance entre os titulares. Jogou no Urawa Red (JAP) e Hangzhou Greentown (CHI) antes de, em 2014, acertou com o Portimonense (POR). Voltou ao Brasil ano passado, atuando pelo Figueirense.

ENTREVISTA COM MAZOLA

Por que você resolveu desabafar ao fazer gol no São Paulo no ano passado, pelo Figueirense?
Gostaria de, primeiramente, pedir desculpa pela comemoração. Eu entrei no São Paulo como um moleque e sai um homem graças a eles. De chegar lá e poder ter tudo o que eu não tive. Eu estudava numa escola onde só tinha ladrão, usavam droga no banheiro. Lá em Cotia é um paraíso, escola particular, sua cama, quartinho. Eles me fizeram um homem.

Você foi injustiçado no clube? De onde vem a mágoa?
Tenho essa mágoa porque sai pela porta do fundo, sem ter muitas cances, sem gol. E de lá para cá, você vê que o Oscar precisou sair do São Paulo para brilhar e depois só teve o Lucas, não teve mais ninguém. Eu poderia ter tido mais chances.

Tem palpite para o jogo de amanhã? Queria jogar?
A gente sempre quer jogar, sou profissional e contra time grande dou sorte. Arrisco 1 a 0 para o Ceará, seria muito importante para nós.

Mazola saiu do São Paulo, mas o São Paulo não sai de Mazola. Aos 26 anos e depois de rodar o mundo, o atacante do Ceará, adversário do Tricolor nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, ainda mantém vivo o sonho de voltar ao clube que o revelou. Natural, afinal hoje defende o atual lanterna da Série B. Mas a surpresa vem quando ele revela seus planos para o retorno. 

– Meu sonho é poder estar bem, fazer um campeonato legal para um dia voltar para o São Paulo e poder fazer um gol. Quero vestir a camisa do São Paulo e homenagear o meu pai com um gol. Dinheiro no mundo paga isso. Quando fizer isso, pronto, posso parar. Quero encerrar minha carreira no São Paulo – declarou o jogador, em entrevista ao LANCE!, no Centro de Treinamento do Ceará.

Para entender o humilde sonho é preciso voltar no tempo e relembrar episódios muito tristes, que o atleta não consegue contar sem que caíam lágrimas do seu rosto.

Mazola com a camisa do São Paulo, em 2009 (Crédito: Tom Dib)

Até os nove anos, ele fugia da mãe para encontrar o pai - eram separados -, do qual orgulha-se de carregar o nome. Mas, aos 35 anos, o Mazola pai perdeu a guerra para as drogas. E o filho perdia seu maior incentivador. O resultado foi a saída prematura de casa, para viver nos alojamentos da Portuguesa. Ele nunca mais voltou para a casa da mãe depois disso.

– Apesar de tudo que ele fazia, eu só queria estar ao lado dele. Cansei de dormir abraçado com ele na rua, mesmo ele drogado. Ele era são-paulino fanático e quando vesti a camisa do time, só lembrei dele. Foi uma emoção muito grande quando estreei por isso – afirma o "Mazolinha", com os olhos marejados.

- Meu pai sempre me levava para treinar, ainda na Portuguesa. Ele sempre dizia: se eu pagar a passagem não teremos dinheiro para comer. E aí passava por baixo da catraca. Daí na linha que fazíamos um cobrador deixava a gente passar. E meu pai sempre falava para ele que um dia ele ia me ver famoso. Por isso, quando cheguei ao profissional, levei uma camisa para esse mesmo moço e ele chorava demais, dizendo: "Viu, seu pai poderia estar aí para te ver - completa.

Por isso mesmo, Mazola diz que se arrepende do desabafo feito ano passado, quando marcou pelo Figueirense contra o São Paulo, no empate por 1 a 1 Morumbi, pelo Brasileiro. Na ocasião, ele encobriu Rogério Ceni e, na comemoração, mandou a torcida do Tricolor se calar. Se arrepender.

Passado o tempo, certo é que cena não poderá se repetir nesta quarta, pois Mazola já defendeu o Figueirense na Copa do Brasil. Sorte dos são-paulinos e um alívio para quem sonha com um gol a favor.

A TRAJETÓRIA

No São Paulo
Mazola chegou ao São Paulo nas categorias de base, com 15 anos, depois de se destacar no Ituano. É da mesma geração do volante Wellington, hoje no Internacional, o meia Oscar, do Chelsea (ING), e o atacante Henrique, do Coritiba. Foi promovido em 2008, quando estreou na Copa Sul-Americana, na eliminação para o Atlético-PR. Disputou apenas três jogos, dois em 2008, e um, em 2011. Não marcou gol.
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Rodou o mundo
Não aproveitado no São Paulo, o atacante passou a ser emprestado constantemente. Em 2010, atuou pelo Toledo-PR, Paulista-SP e Guarani-SP. Voltou ao Tricolor em 2011, mas teve apenas uma chance entre os titulares. Jogou no Urawa Red (JAP) e Hangzhou Greentown (CHI) antes de, em 2014, acertou com o Portimonense (POR). Voltou ao Brasil ano passado, atuando pelo Figueirense.

ENTREVISTA COM MAZOLA

Por que você resolveu desabafar ao fazer gol no São Paulo no ano passado, pelo Figueirense?
Gostaria de, primeiramente, pedir desculpa pela comemoração. Eu entrei no São Paulo como um moleque e sai um homem graças a eles. De chegar lá e poder ter tudo o que eu não tive. Eu estudava numa escola onde só tinha ladrão, usavam droga no banheiro. Lá em Cotia é um paraíso, escola particular, sua cama, quartinho. Eles me fizeram um homem.

Você foi injustiçado no clube? De onde vem a mágoa?
Tenho essa mágoa porque sai pela porta do fundo, sem ter muitas cances, sem gol. E de lá para cá, você vê que o Oscar precisou sair do São Paulo para brilhar e depois só teve o Lucas, não teve mais ninguém. Eu poderia ter tido mais chances.

Tem palpite para o jogo de amanhã? Queria jogar?
A gente sempre quer jogar, sou profissional e contra time grande dou sorte. Arrisco 1 a 0 para o Ceará, seria muito importante para nós.