Leco - São Paulo

Carlos Augusto de Barros e Silva coletiva de imprensa do Sao Paulo (Foto: Marcello Zambrana/AGIF)

Marcio Porto
23/11/2015
17:31
São Paulo (SP)

Quem esperava uma série de mudanças no São Paulo após a humilhante goleada de 6 a 1 para o Corinthians no último domingo pode tirar o cavalinho da chuva. Nesta segunda, um dia após o vexame, o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, admtiu o baque da derrota, mas falou que o momento é de serenidade e sem espaço para mudanças drásticas pelo menos até o fim do Campeonato Brasileiro. O Tricolor ocupa a quarta colocação com 56 pontos e hoje estaria classificado para a Libertadores.

- Estou aqui para abordar esse momento difícil, traumático e triste na vida do São Paulo, fundamentalmente motivado pelo resultado desastroso de ontem. Que nos causou assim da perplexidade à indignação. O São Paulo quer por sua presidência expressar seu sentimento de solidariedade à sua torcida pela profunda tristeza que estamos vivendo - afirmou Leco, durante comunicado antes da entrevista coletiva.

O presidente deixou claro que uma reestruturação será necessária para 2016, mas que vai esperar os jogos contra Figueirense e Goiás para iniciar as mudanças.


- O momento não permite outro tipo de atitude e lutar por ela (Libertadores). Porque não adianta encarar o fenômeno de ontem, que doeu entre todos nós, como momento de tomar decisões extremas, mandar esse ou aquele embora, não estamos nesse momento. Tem de ter serenidade e muita seriedade para tratar isso - afirmou o presidente.

Leco também disse que houve falta de comprometimento de alguns atletas. Sem citar nomes, ele disse que a partir do ano que vem não admitirá mais jogadores que não se incomodem com a derrota.

- Por aí passa a ideia também de exigir da nossa equipe uma atitude responsável e de comprometimento que não vemos em todos os integrantes. Depois disso, temos uma certeza, todo meu compromisso de campanha, que reafirmo aqui, de reestruturação, planejamento e transparência será implementado. Precisávamos sentar nas cadeiras para poder avaliar, aferir e projetar tudo aquilo. Tenho confiança - analisou.

O mandatário também saiu em defesa do vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro. Perguntado sobre o porquê de o dirigente receber tantas críticas, por supostamente ter dado entrevista rindo após o Majestoso, Leco falou até se emocionou ao lembrar que o vice foi o pivô da saída do ex-presidente Carlos Miguel Aidar. Ataíde acertou um soco em Aidar e diz ter gravado uma conversa em que o ex-presidente admite irregularidades.

- Ele não sorriu porque esse foi o sentimento dele, vi a cena. Ele provavelmente dirigiu um sorriso para um dos colegas de vocês, num gesto de simpatia, eu sei o quanto a dor passou pra ele. O fato de atribuir ao Ataíde alguns erros é muito simplista. Ele também teve acertos. E um foi fundamental. Nós devemos ao Ataíde o fator desencadeante de uma crise. Não é só porque ele derrubou o Aidar, quem derrubou o Aidar foi o próprio Aidar, o Ataíde desencadeou, a gota d'água fez transbordar. Não só ele como qualquer outro, quando não estiver à altura do São Paulo, poderá sair. Mas ele é competente - declarou Leco.

CONFIRA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA

SE PUDESSE, FARIA REFORMULAÇÃO AGORA?
"Não faria, fará. O São Paulo está no fim de uma agenda que contempla a perspectiva de ele alcançar uma condição de partir para embates maiores. Hoje não posso mexer em absolutamente nada, mas estamos fazendo todas as análises para saber o que devemos prestigiar e o que devemos modificar"

AMBIENTE NÃO PODE FICAR PIOR?
"Imagino que o ambiente conturbado, ele de uma certa forma está se retraindo. Minha fala aqui é para mostrar que o São Paulo tem cara e está enfrentando de frente esta situação. A própria passagem do tempo nos anima de que haverá o esfriamento, redução na dor profunda, mas temos de controlar e resolver"

ANUNCIAR TÉCNICO PELO VEXAME?
"Não nasceu ontem, já vinha sendo desenvolvida e está em andamento de forma que possamos, se tivermos sorte, anunciar até o fim da semana. Isso é uma questão muito clara, muito bem resolvida"

CRÍTICAS A ATAÍDE GIL GUERREIRO
"Não tenho um entendimento muito claro das razões de que ele vem sendo vítima de campanhas tão severas quanto à gestão no futebol. Lembro que o Ataíde é uma pessoa correta, é um bom profissional, é um são-paulino e esteve à frente da gestão do São Paulo desde o primeiro momento e o time de 2016 passou por ele, e esse time foi dizimado. Contrariou certamente as posições dele, mas ele teve de admitir. Poderia se responsabilizar por isso, por time ter sido reduzido, ele é uma pessoa séria. São Paulo está acima, se chegar a conclusão com ele, ou qualquer outro que não estiver na posição, teremos oportunidade de agir por razões que já expus"

QUE INDÍCIO TEM DE QUE VAI TER POSTURA PARA GANHAR VAGA
"Não posso assegurar nada. Estaremos atento e cobrando. Assim como o São Paulo fez no segundo tempo contra o Atlético-MG, uma partida brilhante, nos trouxe emoção, no domingo foi uma tragédia. Não posso assegurar, ninguém é capaz de fazê-lo, mas eles serão sim incentivados, cobrados a ter performance compatível com a honra que essa camisa exige"

FOI HUMILHADO?
"Muito boa qualidade, inegável, muito bem dirigida, e estava motivado pela festa. Não se deveu ao que fizeram de bom. Se deveu ao que deixamos de fazer. Não fomos humilhados pelo Corinthians, partindo dessa ideia, pode parecer negativo que prefiro não ter. Que estamos magoados, feridos, estamos, mas a gente vai superar isso em pouco tempo e tenho certeza de que se tivermos bons resultados nessas duas partidas, teremos tranquilidade para trabalhar o ano que vem"

COMO FOI A NOITE?
"Muito pouco e mal dormida."

PONTOS PERDIDOS
"Perdemos quatro pontos preciosismos em clássicos, se tivesse aquele pênalti, claríssimo, no fim do jogo contra o Corinthians, claríssimo. E seria dois pontos. E contra o Palmeiras, demos dois pontos para eles. Por causa de um lance de preciosismo do Rogério, que poderia colocar a bola pra escanteio e tipico de um jogador como ele, de qualidade, tentou sair jogando. E mesmo assim o São Paulo está no G4, sinal da grandeza do clube"