Marcio Porto
21/07/2016
17:31
São Paulo (SP)

A imprensa argentina noticia nesta quinta-feira que Edgardo Bauza virou o favorito para assumir a seleção da Argentina, no lugar de Tata Martino, que saiu depois da Copa América. A diretoria do São Paulo não confirma o convite nem qualquer sinal de Patón sobre o assunto, mas o clube admite que pode perder o treinador caso os rumores se confirmem.

Há no clube a impressão de que houve uma alteração de cenário nas últimas horas, por conta do noticiado pelos veículos argentinos. O canal TyC Sports, por exemplo, crava que Patón foi o escolhido pela Comissão Normalizadora, que vai definir o técnico, e que já estaria buscando voos para a Argentina para se reunir com os dirigentes e discutir o assunto. A viagem, ainda segundo a emissora de televisão, será nesta sexta-feira após o treino pela manhã.

O São Paulo aguarda um contato do treinador e confia em sua permanência, embora admita que pouco poderá fazer caso o convite da Argentina seja formalizado. Há uma esperança no que Patón disse no mês passado ao LANCE!. Em entrevista exclusiva no dia 9, publicada no dia seguinte, Bauza descarta deixar o clube mesmo em caso de proposta da seleção de seu país.

O diálogo começa com a reportagem citando a situação de Juan Carlos Osorio, que no ano passado deixou o Tricolor para assumir a seleção do México, onde permanece até hoje. Patón é questionado se a situação poderia se repetir e nega. Mais para frente, é perguntado sobre o caso de um possível convite da Argentina, e volta a descartar. Acompanhe a sequência:

Ano passado, o colombiano Juan Carlos Osorio interrompeu um trabalho aqui para treinar a seleção do México. Isso foi um pouco traumático para o torcedor. Isso pode se repetir?
Não. Não há nenhuma possibilidade. Primeiro porque ninguém falou disso neste momento. Já ocorreu em outros clubes, como San Lorenzo e LDU. Eu tenho contrato (até o fim do ano) com São Paulo e irei terminá-lo. Se quiserem, ainda renovo quando acabar. Não posso dizer que sairei porque alguém me chamou. Não posso, me daria vergonha chegar no presidente e dizer que vou sair porque o Paraguai veio me buscar. Tenho um contrato. Se quero que me respeitem aqui, tenho que respeitá-los.
(Nota da redação: Osorio saiu em meio a um conturbado cenário político, em que não tinha confiança no ex-presidente Carlos Miguel Aidar, que renunciou ao cargo por denúncias de desvio de dinheiro).

Mas tem aspirações maiores?
Claro que tenho. Dirigindo San Lorenzo recebi uma proposta do Paraguai, uma da Costa Rica e uma do Equador. E recusei as três por ter contrato. Disse que não poderia e que terminaria o contrato.

E se fosse a Argentina?
Igual! Por mais que motive mais, é igual. Passa por questões de princípios. Se eles me mantêm mesmo com duas derrotas seguidas, tenho que respeitar o clube. Estamos em pleno processo de construção de um time, que está se consolidando agora. Qualquer técnico gostaria de dirigir seu país. Mas este é um tema político e complicado. Se um dia acontecer, será bem-vindo, mas não é algo que me tira o sono. Há técnicos como Simeone (Atlético de Madrid) que, se Tata Martino sair, o que não acredito, será chamado. Tem Gallardo...

O QUE MUDOU DESDE ENTÃO

Agora, um mês e 14 dias depois, o treinador é dado como favorito para assumir o cargo da seleção de seu país. Neste período, o Tricolor caiu nas semifinais da Libertadores com duas derrotas para o Atlético Nacional (COL), perdeu Alan Kardec, Ganso e Calleri, jogadores importantes, mas manteve Maicon, ganhou Cueva, Gilberto e agora o atacante argentino Andrés Chávez. Há uma situação de indefinição por Julio Buffarini, lateral-direito que é uma obsessão de Bauza desde que chegou. O São Paulo chegou a acordo com o San Lorenzo para contratá-lo, mas não conseguiu registrar a compra antes do fechamento da janela de transferências internacionais, na última terça-feira. Agora, depende de aval da Fifa. Assim como pode depender da palavra de Patón para seguir com técnico. 

A diretoria sempre disse que a relação com Bauza era muito boa, algo que o treinador confirmava. Nesta semana, antes do fechamento da janela, no entanto, Patón declarou à uma rádio argentina que sua permanência ficaria complicada caso reforços não chegassem. Depois disso, o São Paulo anunciou Chávez e acertou com Buffarini.