Léo Saueia
19/10/2016
07:00
Santos (SP)

A expressão “vivendo um sonho” é constantemente usada por jovens jogadores com ascensão meteórica na carreira que ainda não assimilam o sucesso. Aos 37 anos, Renato obviamente já não é mais um garoto cheio de perguntas ainda sem respostas e, muito provavelmente, já tem noção do que representa para o futebol brasileiro

Nesta quarta-feira, às 19h30 (de Brasília), diante do Internacional, no Beira-Rio, pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil, o camisa 8 do Peixe dá sequência à sua vigésima temporada como jogador de futebol – sua estreia aconteceu em 1996, pelo Guarani, diante do forte São Paulo.

Ignorando o prazo de validade colocado em atletas que superam a marca dos 30 anos, Renato age como o mesmo jogador franzino que despontou do Brinco de Ouro para a Vila Belmiro: com sede de conquistas. Os títulos, aliás, são o motivo que fazem o veterano nem sequer pensar ainda em aposentadoria do futebol.

– Realmente a estreia foi em 1996, faz um pouco de tempo (risos). Fico feliz de alcançar essa marca, sei que é difícil, jogador às vezes tem carreira curta. Tenho consciência dessa marca e espero jogar ainda mais. Tenho contrato até o ano que vem, mas longe de ter uma marca pessoal. Vou jogar enquanto tiver prazer e ambição de vencer e ganhar título – conta, em bate-papo exclusivo com o L!.

Seguindo o clichê de que o jogo mais importante é sempre o próximo, o experiente volante do Peixe quer colocar o duelo contra o Inter na galeria dos mais importantes de sua carreira. Afinal, superando o rival desta noite, o caminho se abre para conquistas de dois campeonatos que o ídolo alvinegro ainda não tem: Copa do Brasil e Libertadores.

– É o mais importante. A gente sabe que os jogos que ficam para trás, ficam lembrados, mas só no passado. Agora é realidade. O próximo jogo é o mais importante. Esse contra o Inter com certeza é uma final, vai ser complicado, mas esperamos fazer um bom jogo para conquistar a classificação para mais essa semifinal.

Em 2014, o Peixe parou no Cruzeiro na semifinal da Copa do Brasil. No ano passado, perdeu a decisão para o rival Palmeiras. A história deste ano começa a ser traçada nesta noite de quarta, e se depender de Renato o Santos estará com fôlego de um menino para inundar a sala de troféus do volante.

Bate-bola com Renato, volante do Santos
‘Algo que ainda quero e almejo é conquistar mais títulos por aqui’

É exagero dizer que o Renato de hoje é melhor que aquele de 2002?
Não digo melhor, mas acho que mais experiente, mais rodado. Acho que isso pode ser uma vantagem em relação a 2002 e 2004. Acredito que se tivesse toda essa experiência lá atrás, seria diferente. Procuro a cada jogo fazer sempre o melhor, ter regularidade. A maturidade e a experiência acabam ajudando dentro de campo. Não digo que estou melhor do que naquela época, mas acho que estou bem mais maduro. Isso conta.

O que faz você seguir jogando?
Algo que eu quero e almejo é ganhar mais títulos. Não é uma coisa individual, é de grupo. Você sente o gosto, sabor de ter o reconhecimento do seu esforço. Acho que isso é uma coisa que vou levar até o fim.

Talvez o que te falte seja só uma Libertadores no currículo...
Existe a Libertadores e uma Copa do Brasil. Bati na trave. São os dois títulos que particularmente não tenho. Seria uma satisfação muito grande vencer uma Copa do Brasil e a Libertadores.