Rollo, Jair, Gustavo Vieira e Peres

Diretoria quer mudar a relação entre elenco e dirigentes (Foto: Ivan Storti / Santos FC)

Russel Dias
21/01/2018
06:00
Santos (SP)

A missão do departamento de análise de desempenho é avaliar jogadores para diminuir a margem de erro na escolha de um treinador ou na hora de contratador um jogador. No Santos, os relatórios de potenciais reforços passam não só pela técnica, posicionamento em campo, números e custos, mas também pelo comportamento fora de campo. Tudo isso faz parte do projeto da diretoria do Santos, chefiada por José Carlos Peres, na reestruturação do futebol.

Apesar da ideia de reformular o elenco, o Peixe mantém lideranças importantes do grupo, como são os casos de Vanderlei, Victor Ferraz, David Braz e Renato. O último herdou a faixa de capitão que era de Ricardo Oliveira.

A saída de Ricardo Oliveira, aliás, foi um dos primeiros pontos da montagem do elenco para 2018. Em 2017, enquanto Modesto Roma ainda dirigia o clube, o estafe do camisa 9 acreditava que teria um salário melhor se negociasse com outro presidente e rejeitou a oferta do ex-mandatário, que propunha um contrato de dois anos. Com a vitória de Peres nas urnas, o centroavante teve uma oferta de apenas mais um ano na Vila Belmiro, o que o desagradou.

Porém, a nova administração do Peixe já não demonstrava tanto entusiasmo em contar capitão liderando o elenco. Durante a campanha presidencial, José Carlos Peres afirmou que não admitiria cultos religiosos dentro do clube. Vale lembrar que Oliveira é pastor e era uma das principais lideranças do elenco entre 2015 e 2017.

- Aqui também vai ter que ter compromisso com o clube. O projeto tem que ser comprado pelo jogador. Não queremos jogadores descompromissados. Vai ter comando. Se quiser igrejinha, vai na igrejinha rezar. As reformas serão sentidas. - disse o então candidato em entrevista ao LANCE! antes da eleição.

Além de uma cartilha de comportamento, distribuída aos funcionários do clube, o Santos acredita que a reformulação na diretoria de futebol deixará os atletas mais próximos da cúpula. Desde a saída do então gerente de futebol Sergio Dimas, no começo de 2017, o elenco deu demonstrações de frustração com a diretoria comandada por Modesto Roma.

A gota d'água aconteceu nas quartas de final da Libertadores do ano passado, quando, ao empatar com o Barcelona de Guayaquil no Equador, Ricardo Oliveira e Lucas Lima reclamaram na imprensa da logística do Santos, que levou 15 horas para chegar em Guayaquil.

Para os recém-chegados, os primeiros passos serão um pouco diferente. Para quem assina contrato e é apresentado, há uma espécie e tour pelo Memorial das Conquistas, onde Odir Cunha, uma das pessoas da linha de frente da chapa de Peres e Orlando Rollo, conta a história do clube e tenta passar o significado de vestir a camisa do Alvinegro. O procedimento pôde ser visto no vídeo de apresentação do técnico Jair Ventura.

As apostas de Peres para representar a diretoria frente ao elenco são mais jovens. Além de Gustavo Vieira, executivo de futebol, William Machado, ex-zagueiro do Corinthians e ex-comentarista de televisão foi trazido para estar mais perto do elenco e ouvir os jogadores.

No fim da temporada passada, outra discussão chamou a atenção. O atacante Kayke chegou a discutir no vestiário com o superintendente de esportes, Dagoberto dos Santos, após um empate no Pacaembu, devido a uma premiação em dinheiro prometida pela diretoria em caso de vitória. 

Outra etapa da reformulação foi a demissão de Marcelo Fernandes e Elano, ambos auxiliares que estiveram à frente do time em 2017 e 2017, respectivamente. Neste caso, a opção da diretoria foi dar liberdade e não criar sombras a Jair Ventura. Entretanto, o fator político foi levado em conta pelos atuais dirigentes.

Por fim, o Comitê de Gestão do Santos tenta acabar com as visitas das torcidas organizadas ao CT Rei Pelé, fato frequente no ano passado para conversas com o elenco. No site oficial, o clube publicou um comunicado afirmando que não vai mais distribuir ingressos para as uniformizadas comercializarem. A Torcida Jovem havia feito uma nota posteriormente para avisar seus membros do novo funcionamento.

Também no período pré-eleitoral, Peres havia dito que buscaria uma comunicação com as torcidas organizadas.

- Sobre torcida organizada. Achamos que todo torcedor é torcedor, seja sócio, de organizada, que colabora. Todos serão tratados com carinho e admiração. Organizadas terão cadeiras e banheiros limpos. E mais: vamos chamá-los para ajudar. Se der condição, treinamento, ensinar que respeito é importante. A participação da Torcida Jovem será maravilhosa. Vamos atendê-los como seres humanos. Terão que nos ajudar. Fortalecimento da marca passa por isso. O Santos é o time que tem menos rejeição. A torcida organizada, sem média, terá seu desafio e trabalho. Ingressos nós daremos se trabalharem. Se tiver 100 da torcida organizada que ajuda no monitoramento, recebe famílias, ganhará kit alimentação, ingresso e terá uma carteirinha de voluntário. Torcida tem que ser melhor aproveitada. As pessoas mudam e as torcidas também podem mudar perfil. Não há exclusão. Queremos mudar para melhor - disse ao LANCE!.