Audax

Elenco do Audax recebeu o prefeito de Osasco nesta quarta-feira, em Sorocaba (Foto: Audax)

Ana Canhedo
28/04/2016
06:55
Sorocaba (SP)

– A primeira coisa que devemos fazer no futebol é acreditar que o sonho é possível, mesmo com toda a dificuldade. Resultado de jogo não existe na véspera, vamos com nossas características, na plenitude de cada um de nós.

O que parece ser um discurso motivacional é, na realidade, uma fala do técnico Fernando Diniz, do Osasco Audax, à imprensa na semana da primeira final do Campeonato Paulista contra o Santos. 

– Sabemos que será complicado não só pela grandeza do Santos, mas também pelo modo como chega, tem jogadores muito talentosos, de Seleção Brasileira, além de um técnico muito bom também.

Concentrado com o elenco do Audax no CT do Atlético Sorocaba, interior de São Paulo, Diniz tenta blindar seus jogadores, na medida do possível, do assédio e encontrou no local o sossego necessário para trabalhar, evitando problemas...

– Não é raro jogador se perder. Para nós, esse assédio é novidade. Esse time está lidando muito bem com isso, nós tivemos experiências antes não tão boas, nos anos passados... No meio da competição, tivemos assédio e alguns jogadores acabaram se desconcentrando do campeonato. Esse grupo está mais maduro, sabe que o time só precisa do time para dar certo. Estão mais protegidos.

E é justamente para evitar o ‘ruído externo’ que a atividade da última quarta-feira foi mais uma vez fechada. Camacho, recuperado de uma pancada no joelho, trabalhou normalmente. O elenco ficará no interior até sexta pela manhã, quando retornará e treinará em Osasco.

Jorge Lapas, prefeito da cidade de Osasco, esteve no CT e conversou com o elenco do Audax. O secretário de Esportes, Tinha di Ferreira, também participou. O dono do clube, Mário Teixeira, chegou no gramado por volta das 9h50 e se reuniu com a comitiva para conversa informal.

Confira outros tópicos da entrevista de Fernando Diniz:

Como controlar a ansiedade do elenco? 
Você precisa é trabalhar alguns outros aspectos, a ansiedade, os fantasmas que sempre surgem nessa hora. O Jogo contra o Corinthians foi uma surpresa para todo mundo que estava no campo, nenhum dos jogadores tinha passado por algo tão emocionante, tanta pressão, a equipe veio se construindo ao longo do campeonato...

Os jogadores sempre te citam. Como sente isso? 
Eles me citam e eu os cito, é um movimento recursivo, a gente se entrega totalmente para os jogadores e eles devolvem em boa medida. Acho que no futebol tem que ser assim, porque os jogadores são os grandes artistas do show, futebol precisa ter bola e jogador, o resto é assessório e tem que procurar pelo menos prestar algum serviço de qualidade.

Você se sente mais maduro como treinador? 
Certamente, o amadurecimento acontece, mas eu não acredito que eu mudei porque as coisas principais, paixão e vontade de ajudar os jogadores, isso permanece intocável. É claro que a gente amadurece, vai aprendendo, modificando como pessoa, como técnico, mas na essência é o mesmo caminho.

Alguns jogadores sempre voltam ao Audax, depois de saírem para outros clubes, é uma tendência... Você faz parte desse processo? 
Quando você gosta muito de alguém, a pessoa sente que você gosta, por mais que você seja exigente. Às vezes, eu sou um cavalinho com os jogadores, mas o pano de fundo é uma vontade imensa de ajudar e tentar com que tenham um futuro sólido, porque o futebol no fim é uma grande ilusão. Aos 35 anos, em média, eles vão parar e todo mundo vai ter uma família para cuidar, é preciso ser companheiro e fazer com que o sonho de cada um se torne real.

Mas aqui não há medalhões, por exemplo... 

Pode ter medalhão, mas nossa folha salarial é baixa, 350 mil reais, não adianta comprometer 20% da sua folha por causa de medalhões, olho muito para ver o que vai projetar futuro, gosto de ver talento querendo emergir. Se o cara está em condições de contribuir, mesmo que seja preciso um esforço grande, precisa compartilhar e contribuir com os outros.