Russel Dias
14/02/2017
06:00
Santos (SP)

Esqueça "três pontos, dar o melhor, ajudar o time ou fazer o que o professor pedir". Kayke sabe dizer o que pensa e não tem o menor problema em fazer isso. Pelo contrário, "carioca da gema", o atacante do Santos começou sua passagem pela Vila Belmiro tendo que se explicar, mas por um bom motivo: gol da vitória. 

O camisa 18 estreou com gol, mas talvez o mais difícil de sua carreira. Aos 47 do segundo tempo o recém-chegado centroavante fez o tento que o Peixe precisava para vencer o Red Bull, mas de ombro e com a bola ultrapassando a linha por centímetros. Contrariado até por alguns comentaristas de arbitragem, ele resolveu usar um veículo que está acostumado: a rede social.

- Gosto de interagir. Futebol evoluiu fora de campo também. As redes sociais seguiram o caminho. Tudo vai lá. Temos que estar aptos a fazer brincadeiras também. O Twitter tem essa pegada mais sarcástica, da brincadeira. É mais uma brincadeira positiva, sem criar polêmica, sem confrontar com quem não gosta, mas temos que interagir com nosso torcedor. Futebol tem essa parte. Não podemos deixar se perder, falar as mesmas coisas, ficar robotizado. Acho que as redes sociais vieram para botar um ar mais emocionante - opina em entrevista ao LANCE!.

Criado no Rio de Janeiro, o atacante de 28 anos não nega as raízes, sotaque e nem a malandragem típica de um garoto que teve a infância divida pela criação em Copacabana e Realengo. 

No entanto, ele garante que a malandragem é usada para o bem e o aprendizado das ruas lhe ensinou tanto quanto qualquer outra escola. No entanto, a formação to atleta e do ser humano aconteceu dentro do Flamengo. Lá, ele esteve desde os oito anos até os 20 até retornar.

- O carioca é mais desinibido. A parte da malandragem tem que saber como utilizá-la. Prezo pela verdade. Se tivesse batido na mão, seria o primeiro a falar. Tenho meu compromisso com a verdade, com o que acredito, não tem necessidade de mentir. Hoje, vendo as imagens, deu para ver que foi gol claro. O goleiro pulou na linha, coloca o braço esquerdo na diagonal, sendo que estava na linha, a sombra também ajuda. A linha da trave... O sol estava em uma posição que a trave não estava na linha. A bola entrou e entrou muito. mas foi um fato legal. Criou algo a mais. Queria fazer o gol, ajudar, só não esperava que daria tanta resenha. Agora é cabeça fria e concentrar para o próximo jogo - conta, juntando com a explicação do gol.

Depois de passar pelo Paraná, Atlético-GO, ABC-RN e Yokohama Marinos, o centroavante chega a Santos com motivos para se sentir em casa. Acostumado à praia e calor, em Santos ele tem tudo isso e mais um pouco.

- Por isso que a bola entrou no primeiro jogo" É muito disso, de se sentir bem, ser bem recebido. Futebol não é só treinamento, dedicação, tem todo um trabalho por trás que influencia muito. Posso te dizer que tudo isso que aconteceu na minha chegada me influenciou positivamente. Muitos acham que é sorte, mas é um conjunto. Para fazer as coisas acontecerem, tem que se sentir bem. Fui bem recebido. Espero que minha estreia tenha sido um ponta-pé inicial para o que temos a comemorar nessa temporada.

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