Mário Teixeira

Sossegado, Mário Teixeira assiste treino do Audax em Sorocaba às vésperas de final (Foto: Luiz Medina/Audax)

Ana Canhedo
07/05/2016
06:20
São Paulo (SP)

Sentado em um banco à beira do gramado em Sorocaba, um senhor assiste ao treinamento do Osasco Audax às vésperas da final do Campeonato Paulista. É ‘seu Mário’, ‘doutor Mário’, ‘Mário Ponte Preta’ ou apenas Mário Teixeira, investidor e dono do clube.

Aos 70 anos, o ex-integrante do Conselho de Administração do Bradesco, torcedor assumido da Ponte Preta e pai de Fernanda e Gustavo, o diretor financeiro do Audax, tenta se manter no anonimato e na simplicidade nos bastidores do time. Mas chamou a atenção quando berrou em público com Tchê Tchê, após o vazamento do acerto do atleta com o Palmeiras.

– Dinheiro nunca foi problema aqui! – gritou, indignado.

O pedido de desculpas veio em forma de carta, lida aos jogadores um dia antes do primeiro jogo da final contra o Santos. No texto, seu Mário relembrou a trajetória de muitos atletas no Audax e emocionou o elenco. Pouco comum.

Pelo menos é o que garante o diretor de futebol Nei Teixeira, que convive com o investidor há muitos anos. Os dois se conheceram justamente pela paixão pela Ponte Preta.

– Estava vendo um jogo do Osasquinho e disse que gostava muito da camisa, seu Mário se aproximou e perguntou a razão, respondi que era por ser igual a da Ponte – conta Nei, por seis anos foi jogador da Macaca.

Teixeira foi um dos homens fortes do Bradesco e conduziu negociações importantes no banco. Hoje, administra a fortuna e investe, por enquanto sem retorno financeiro, no Audax e em mais três: Grêmio Osasco, Osasco FC e Audax Rio.

Ele comprou o Audax em 2013 e deposita em Fernando Diniz total confiança. Mais do que isso, foi cativado pelo estilo de jogo do técnico. Diniz garante que não sairá novamente do clube sem ter uma conversa franca e sincera com seu Mário.

Investidor assumido depois que se aposentou, chegou a pagar bichos em dinheiro vivo nos vestiários do Osasco no passado, quando ainda se dizia apenas um “incentivador”. Dinheiro nunca foi problema. Caso o Audax vença o Santos, a promessa é pagar um R$ 1 milhão de prêmio.

A final de amanhã ele deve assistir em sua casa, em Alphaville, ou então de Osasco, no José Liberatti. Da Vila Belmiro passará longe. Não costuma de ver o time in loco.

Com a palavra, Fernando Diniz ao L!

"Seu Mário é muito passional. às vezes tem reações de um ou dois minutos, mas é um cara simples, humilde, não só com os jogadores, mas com todos os funcionários do clube, é uma pessoa difícil, um cara genial, tanto na questão profissional, como no trato. As qualidades dele excedem qualquer coisa. Minha relação com ele é ótima, uma afinidade que é difícil de poder explicar."