Léo Saueia e Russel Dias
14/09/2016
06:15
São Paulo e Santos (SP)

Ser um Menino da Vila remete a alegria, futebol bonito, dribles e muitos gols. Mas uma prata da casa do Santos tem que fazer o "trabalho sujo" para cumprir com as obrigações e cair nas graças da (exigente) torcida alvinegra. Este é Gustavo Henrique, zagueiro que teve a primeira sequência de jogos no time profissional em 2013.

Promessa na equipe campeã da Libertadores, o defensor hoje convive com uma realidade pouco diferente, com títulos de menor expressão.

Por estar cansado da distância das grandes vitórias e mais maduro em relação ao ano em que foi promovido, o zagueiro do Peixe acredita que está na hora de recolocar o Santos nos pôsteres de campeão nacional. Portanto, chega de perder pontos, a começar por esta quarta-feira, quando o Peixe encara o Botafogo no Rio, às 19h30, pela 25 rodada do Nacional.

Prova da maturidade do zagueiro de 23 anos não é só o tempo, mas o número de jogos feitos na temporada. Já são 43 partidas em 2016, número maior do que em outros anos. Outra prova, claro, está nas lições vividas.

- Vínhamos fazendo grandes jogos, jogamos bem contra o Inter, controlamos contra o Coritiba, estamos tomando gols bestas. Não por falta de concentração. Temos que ser mais agressivos na marcação. Assim vamos melhorar fora de casa - aponta o jogador, ao LANCE!.

Sabendo o que um defensor precisa fazer, Gustavo Henrique não descarta nem distribuir algumas botinadas, nem que seja em um ex-Menino da Vila, com quem jogou na base e que atualmente comanda o ataque botafoguense, que ergue o time na tabela. 

Neílton e Gustavo Henrique
Neilton e Gustavo jogaram juntos no profissional em 2013 (FOTO: Divulgação)

- Neilton é muito liso, habilidoso. É um jogador que requer cuidado, sabe colocar uma bola, não é só driblador. Tem que ter atenção especial com ele, não só com ele, claro. Eu diria para ele vir devagar, senão pode tomar no tornozelo - brinca.

Depois de ter disputado vaga com Durval e Edu Dracena aos 20 anos de idade, Gustavo nunca foi questionado sob o comando de Dorival Júnior e sustenta a titularidade há mais de um ano, o que também não havia acontecido desde 2013. Seja com rebatidas ou cabeceios, ele parece pronto para conquistas de um Menino da Vila.

Confira um bate-bola exclusivo com Gustavo Henrique:

Motiva ser um dos poucos representante dos Meninos da Vila que joga na defesa?
Motiva. Alguns torcedores do Santos veem muito quem faz gol, então eu, lá atrás, procuro fazer o melhor. Sou um Menino da Vila, mas já cresci, sou maduro. Quero servir como espelho para quem começa a carreira também.

2013, sua primeira temporada, foi o ano em que o Santos deixou de disputar a Libertadores. Por que está na hora de voltar?
Acho que está na hora. Cheguei aqui com 14 anos e só fui ganhar com 17 anos. É um processo de amadurecimento, hoje estou mais focado em melhorar. O grupo também vem amadurecendo. Naquela época tinha mais jogadores mais velhos e experientes, hoje tem menos. Queremos muito chegar ao objetivo que é ganhar a Libertadores.

Sonha em ser capitão?
Me agrada, mas não ligo muito. Não sou de falar em roda, sou concentrado no que preciso fazer. Deixo essas falas para o Renato, Elano, Ricardo... Vou me soltando aos poucos. Se precisar, posso fazer esse papel.