Russel Dias
26/10/2017
22:08
Santos (SP)

O Santos foi notificado judicialmente nesta quinta-feira por conta de um pedido de liminar para rescisão contratual do estafe do lateral-esquerdo Zeca. Ele foi feito com a alegação do não pagamento de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), uma das obrigações do empregador no regime da Consolidação das Leis Trabalhistas.

O camisa 37 faltou aos treinos de quarta e quinta-feira nesta semana sem apresentar justificativa, segundo o próprio clube, que afirmou que está apurando as causas da ausência. O Santos ainda não comenta o assunto. 

Zeca tem contrato com o Santos até 31 de dezembro de 2020. Revelado na base do clube em 2014, fez 141 jogos e quatro gols.

Antes do duelo contra o Atlético-GO, o jovem de 23 anos foi um dos mais cobrados por parte da torcida. Além das pichações na Vila Belmiro, foi cercado por um grupo de torcedores no aeroporto de Congonhas após o empate em 1 a 1 com o Sport, em Recife.

No último jogo, na Vila Belmiro, foi novamente xingado por torcedores enquanto dava entrevista durante o intervalo da partida. Antes, a diretoria estudou punir o atleta por causa de uma postagem nas redes sociais que foi considerada pelos dirigentes ofensiva à torcida.

Confira na íntegra a nota enviada pela assessoria de imprensa de Zeca: 

"Não é de hoje que Zeca vem atuando pelo Santos sem que o clube cumpra com o que lhe foi prometido. Pela lei, há um mês o jogador já poderia ter deixado de participar das partidas, mas isso jamais passou pela sua cabeça, mesmo quando se iniciou a perseguição por parte da torcida contra ele. Seus colegas de grupo e comandantes da comissão técnica são testemunhas do comprometimento, seriedade e dedicação do atleta, sempre disposto a ajudar e contribuir no objetivo comum de trazer alegrias à torcida.

Apesar de os compromissos do Santos estarem em atraso, Zeca sempre cumpriu, e vem cumprindo, fielmente, todas as suas obrigações. Relembrando que, pela lei, repita-se, ele já poderia ter se recusado a competir há algum tempo.

Ultimamente, porém, a situação se tornou insustentável. Até o presente momento, Zeca vinha aguentando xingamentos e pressões externas, fatos que, infelizmente, acontecem com muitos jogadores de futebol. Nos últimos dias, entretanto, a situação se agravou e ele passou a ser constantemente ameaçado em suas redes sociais, chegando ao cúmulo de ter sido, covardemente, agredido fisicamente no retorno da delegação de Recife a São Paulo, após ao jogo contra o Sport. As imagens e os relatos falam por si só e estão disponíveis para quem quiser ver.

Zeca sabe que escolheu uma profissão sujeita à pressão, contudo, tudo tem limite e o dele foi atingido. Para se ter ideia, ao ver as imagens da agressão pela televisão, sua mãe ligou chorando, temendo pela saúde do filho. Antes de analisar o jogador de futebol, é preciso enxergar o lado do ser humano. E ninguém tem tranquilidade para trabalhar com as ameaças que o atleta vem sofrendo diariamente.

Hoje, o jogador teme por sua integridade física, não está com cabeça para treinar e, por isso, viajou ao interior para amparar sua mãe e familiares, que se encontram extremamente abalados com a situação.

Sendo assim, Zeca resolveu procurar seus direitos na Justiça e está seguro de sua decisão.

O jogador deixa um forte abraço aos irmãos do elenco santista (sua segunda família), aos comandantes da comissão técnica e aos torcedores que incentivam quando têm que incentivar, cobram quando têm que cobrar, vaiam quando entendem que o atleta merece, mas não partem para agressões covardes e ameaças repugnantes."