Dorival Júnior - Santos

Foto: Ivan Stoti / Santos FC

Léo Saueia e Russel Dias
07/05/2016
06:00
Santos (SP)

– Volto com a intenção de terminar o trabalho de 2010 – disse Dorival Júnior em suas primeiras palavras como técnico do Santos pela segunda vez, em julho de 2015.

Desde que esse trabalho foi interrompido, o treinador estudou fora e dirigiu outros seis clubes, tendo conquistado dois títulos: a Recopa Sul-Americana e o Gauchão pelo Internacional, ambos em 2012.

Desde então, são quatro anos sem erguer uma taça, mas isso não significa que não tiveram conquistas.

Em seu retorno à Vila Belmiro, ele passou a ser o 10º técnico que mais dirigiu o Santos na história, além de ter atingido um aproveitamento de dar inveja em muitos técnicos da Série A do futebol brasileiro.

Desde a sua estreia até hoje, o Santos teve 68% de aproveitamento, atrás apenas de Tite no rival Timão.

Embora seja ressabiado com os dirigentes de futebol, Dorival não deixa de mostrar sua ambição à frente do Santos. E nenhuma ressalva consegue mascarar isso.

– Acho que é mais um detalhe, um ingrediente importante. Mas nunca se sabe. Futebol é a semana – responde sobre o significado do título paulista, caso ele venha neste domingo, diante do Audax.

Crítico dos vários defeitos da administração do futebol, ele sempre bate na tecla da alta rotatividade dos técnicos, mas admite que conquistar um Estadual depois de tanto tempo pode coroar o trabalho do bonito futebol que o Peixe vem mostrando nos seus dez meses de trabalho.

– Sou realista. Se me perguntar: é uma obsessão ganhar o título? Não tenho. Tenho vontade muito grande, mas não obsessão desmedida. Só vai acontecer reconhecimento, que é só no momento, quando conquistado. Do contrario, é difícil acontecer – acrescenta sobre a falta de reconhecimento com os profissionais.

Embora os bastidores da bola tenham sido cruéis com Dorival nos últimos anos, as arquibancadas estão a cada jogo aumentando o volume quando seu nome é gritado ao fim do anúncio das escalações.

Se é pelos resultados, pelo futebol ofensivo ou pelos garotos revelados, ninguém sabe, fato é que a torcida santista não quer outro.

Esqueça 2010, Dorival. 2016 pode começar com um novo troféu!

- Futebol é a semana. Na semana seguinte, pode ser tudo diferente - Dorival Júnior.

Confira o bate-bola com Dorival Júnior:

Se for campeão no domingo, o que significará esse título na sua história? A continuação de 2010?

Acho que é mais um detalhe, ingrediente importante. Mas nunca sabe. Futebol é a semana. Estou vendo as equipes que saem da Libertadores com questionamento grande. Não pode acreditar no que se passa. Semana seguinte, pode ser tudo diferente. Futebol brasileiro vai continuar com as incertezas. Por mais que resultados sejam alcançados por equipes, vai sempre estar na corda bamba. Corre o risco sempre.

Como o Santos vai trabalhar a marcação contra o Audax?

Acho que estamos treinados para qualquer situação. Vai depender do que a gente sinta em relação à partida. Poderemos ter início diferente, mas ao longo, os jogadores vão passando e a sensibilidade ali de fora. A equipe está trabalhando para várias situações possíveis. Santos tem obrigação de se mostrar tão agressivo e aguerrido quanto ao longo do campeonato.

Até onde sua invencibilidade na Vila interfere na final?

Importante, mas não decisivo. Uma partida única. Queira ou não, erro mínimo acaba sendo decisivo.