Ytalo

Antes de brilhar virar titular do Audax, Ytalo passou cinco anos no Marítimo, de Portugal (Foto: Marítimo/Divulgação)

Ana Canhedo
01/05/2016
07:35
Osasco (SP)

São 17 jogos, seis gols marcados e ‘poucos xingamentos’ no Campeonato Paulista. O currículo é de Ytalo, atacante do Osasco Audax, que concorre ao prêmio de craque do estadual e é pilar do técnico Fernando Diniz na equipe pela experiência que carrega – foram cinco anos jogando em Portugal, pelo Marítimo – e por um aprendizado crucial: o poder da marcação.

– Eu não sou desses que ele (Diniz) xinga mais, não (risos). Comigo foi natural pelo desempenho que tenho nos jogos e no treinamento, correr, marcar, aprendi a marcar mais, então eu não sinto muita cobrança em cima de mim, mas é normal isso nele – fala ao LANCE!, em Osasco.

Natural de Maceió, Alagoas, o jogador de 28 anos é pai da portuguesa Liani, de oito anos, fruto de um relacionamento anterior ao que lhe presenteou com a pequena Ana Laura, de cinco, e Enzo e Davi, gêmeos de 2 anos, os três filhos de Elaine.

– Antes, a saudade era de pai e mãe, primos... Hoje é um pouco mais difícil pelos filhos, saudade é outra.

Depois de eliminar o Corinthians na semi, Ytalo passou em Porto Alegre, cidade em que mora a esposa e os três filhos (Liani mora na Europa com a mãe) e voltou para a contração, que começou na terça-feira.

Ao lado de Camacho, Ytalo concorre ao prêmio de craque do Paulistão em eleição da Federação Paulista de Futebol. Satisfeito com o reconhecimento do trabalho, o atacante ‘esnoba’ o troféu em prol do time.

– Merecedor sou eu, ele e todo o grupo, mas foram indicados só dois. Eu não faço muita questão disso, não, o que importa é ser campeão. No fim, isso que vale – diz, e completa:

– Já passei por bons momentos na Europa, cheguei a fazer um gol contra o Benfica que classificou o Marítimo à Liga Europa, mas acho que aqui é sim o melhor momento da minha carreira. Sem demagogia, a equipe também está muito bem, é um grupo muito mais maduro.

E é justamente o amadurecimento do grupo de jogadores do Audax que fará com que o time mantenha intacta a filosofia de jogo na final hoje, contra o Santos.

– Pensamos na nossa equipe e não no rival, vimos alguns vídeos para checar o que eles tem de bom, mas taticamente é muito difícil, porque a maioria das equipes que nos enfrentam mudam muito para entrar em campo. A gente faz o nosso jogo, não esperamos ninguém, estamos perto da vitória – finaliza Ytalo, sentado em frente ao gramado estádio José Liberatti.

BATE-BOLA YTALO, ATACANTE DO AUDAX FALA AO L!

‘Estamos focados na final, sabemos que vamos ficar sem contrato’

Como está sua situação com o clube? Vai renovar o contrato?
Aqui a gente não sabe de nada, é uma ingónita, quando acabar é que vai resolver, estamos focados na final para saber o que vai acontecer. Não estamos apreensivos, estamos focados na final, mas a gente sabe que está todo mundo sem contrato.


Sentiu dificuldades para se adaptar ao estilo de jogo de Diniz?
Eu não senti dificuldade, não. Quando eu vim do Guaratinguetá, eu jogava na mesma posição, não precisava buscar tanto a bola, era mais fixo de centroavante e consegui ser o artilheiro na temporada. Depois, quando ele mudou e me colocou para rodar mais atrás da bola também foi natural, taticamente eu consigo fazer quase tudo, não me atrapalhou tanto.

Quando retornou de Portugal?
Depois de quase cinco anos em Portugal, fui para o Internacional, foi no fim de 2009. Tive a chance de ir emprestado um ano, o Inter gostou e renovei dois anos. Eles quiseram me comprar, mas o clube não quis vender, então voltei para lá, chegando lá, renovaram dois anos comigo, mas por não ser opção pelo técnico de lá eu resolvi rescindir e voltar para o Brasil.