Russel Dias
27/11/2016
06:00
Santos (SP)

Fale de Molina pintado no muro do CT Rei Pelé e verá Copete abrir o sorriso. Fale de Molina no Macaranã e verá muitos santistas felizes ao lembrarem da atuação do também colombiano em 2009, ao marcar um gol e dar uma assistência na goleada de 4 a 1 no Fluminense.

É sabendo desse retrospecto do compatriota que Copete estreia no Maracanã, neste domingo, às 17h, contra o Flamengo, pelo 37ª rodada do Campeonato Brasileiro.

– É um sonho estrear com um gol, assim como fez o Molina. O estádio é místico, todos lembram do Maracanazo, estádio de tradição na história mundial – diz Copete, ao LANCE!

Artilheiro do Santos no Nacional com dez gols, ao lado de Ricardo Oliveira e Vitor Bueno, ele tem um ritual sagrado para conhecer um dos grandes palcos do futebol.

– Sempre gosto de fazer uma caminhada descalço no gramado do jogo, para ficar tranquilo, fazer uma oração. Vou repetir e espero que dê certo novamente – disse, lembrando que a sequência de caminhada e gol aconteceu contra o Vitória, na Vila Belmiro.

Apesar da crença, não é só a fé que tem guiado Copete. O atual jogador da seleção colombiana esteve no lugar certo, na hora certa para empurrar a bola para as redes diante de Vitória, Ponte Preta e Palmeiras. Sorte ou tática?

– Acompanhar a jogada é fundamental, acredito. Isso facilita para o jogador. Sei onde a bola pode chegar e fico no lugar que acho que posso ir de encontro à bola. Tem dado certo – explica, com um sorriso no rosto.

Ao chegar ao 12º gol pelo Peixe, Copete está na 5ª colocação na lista de artilheiros estrangeiros da história do Alvinegro. Inclusive, está perto de alcançar Molina, que marcou 17 vezes em dois anos.

Desde que Gabigol deixou o clube, Copete passou a ser a maior esperança de gols do Peixe. Marcou nove vezes, enquanto Ricardo Oliveira anotou sete gols.
Apesar da estreia do colombiano no Peixe ter sido com derrota (contra o Grêmio), Copete não tem só más lembranças ao ter debutado com a camisa alvinegra. Naquela noite, fez um gol e deu assistência.

Com a esperança de uma derrota do rival Palmeiras para a Chapecoense e da prorrogação da decisão do título para a última rodada, Copete mantém esse e o sonho de ficar na memória da nação santista para sempre. Se não for com a imagem no muro, com um troféu.

Para todos os efeitos, a caminhada pela artilharia do Peixe já começou. Nada melhor do que defini-la no Maracanã, como um sonho.

CONFIRA A ENTREVISTA EXCLUSIVA COM COPETE:

O que tem pensado sobre estrear no Maracanã?

Primeira vez que vou jogar em um estádio tão místico. Queremos enfrentar o Flamengo e sair de lá com grande resultado. Espero poder fazer uma grande partida. Seria um sonho estrear com gol.

Quando foi apresentado, você disse que não era de muitos gols. O que mudou desde então?
O segredo, acredito, é bom trabalho. Treinando e em campo. Acredito que isso acompanha o gol. Trabalho cada vez mais para ter esse fruto.

Os três atacantes do Santos têm dez gols. A que se deve isso?

O esquema tático favorece muito. Todo jogador fica do lado onde a bola não está e aparece como surpresa. Trabalhamos isso no treino para que o gol aconteça. O Dorival trabalha as jogadas. Tudo o que ele fala, nós fazemos e queremos colocar em prática nos jogos.

O Dorival Júnior costuma elogiar o Atlético Nacional, equipe pela qual você jogou. Vê semelhança entre ele e Reinaldo Rueda, seu ex-técnico na Colômbia?
São parecidos. Gostam de jogar para frente, e de jogadores que lutem em campo. Assim são Dorival e Rueda. Gostam da ofensividade.

Depois de você, o Santos contratou o Vladimir Hernández e tenta contratar o Berrío. Acha que teve influência nisso?
O jogador colombiano está crescendo muito. Tem qualidade e é boa pessoa, gosta de trabalhar, são corretos. Por isso está tendo crescimento e estão sendo elogiados no Brasil.

Você ficou mais conhecido depois da Libertadores. Qual Copete foi convocado para a seleção. O do Atlético Nacional ou do Santos?
Convocou o que trabalha em campo, que não deixa de lutar. A convocação foi, por isso, pelos dois.