Léo Saueia e Russel Dias
21/08/2016
07:45
São Paulo e Santos (SP)

Uma das poucas verdades que cercam o futebol é aquela segundo a qual todo jovem jogador oscilará em algum momento. O problema, porém, é que nem todos eles estão acostumados a falhar.

O zagueiro Gustavo Henrique é um deles. Logo no primeiro ano de profissional, em 2013, desbancou ninguém menos do que Durval, multicampeão no Santos, e colecionou elogios até lesionar o joelho.

Mas os anos se passaram e falhas começaram a ser notadas pela torcida. No início do Brasileirão, o camisa 6 foi contestado e duramente criticado nas redes sociais, algo com o que não sabia lidar.

Mas neste domingo, às 18h, diante do Coritiba, no Couto Pereira, o defensor de 23 anos terá a oportunidade de calar mais uma vez os críticos e confirmar a volta por cima no mesmo momento em que o Alvinegro tem a melhor defesa do Brasileiro.

- Teve uma época recente até. A torcida xingou bastante, não estava acostumado. Mas fiz muito para melhorar, não estava fazendo jogos como costumava fazer, mas nunca deixei de treinar. Nem Jesus agradou a todos nem eu. Sabia que precisava melhorar. Então levantei a cabeça e treinei. Aproveitei as críticas construtivas - admitiu, ao LANCE!.

Mas para retomar o padrão e a segurança que lhe eram característicos, Gustavo "se fechou". Preferiu não responder às críticas e, sim, treinar. Trabalhou agilidade, força e até mesmo a alimentação.

- Evoluí muito na força, os trabalhos aqui têm me ajudado muito. Força na perna, agilidade... Eu vinha treinando bastante isso, melhorei alimentação, regulei o peso, isso me ajudou bastante - analisa.

Sem a cara feia que caracteriza os zagueiros, o santista prefere deixar rótulos para trás e "intimidar o adversário apenas jogando bola". Que a boa fase se mantenha!

Confira um bate-bola exclusivo com o zagueiro Gustavo Henrique:

Muito se tem elogiado a defesa do Santos, principalmente por ser a melhor do torneio. Você se apega muito às estatísticas?
Elas me interessam, mas procuro não ver muito. Dentro de campo, não percebemos isso. Gosto mais de ver os jogos depois e conversar com os analistas de desempenho.

Pelos números que tem, acredita que a defesa do Santos possa intimidar os adversários de alguma maneira durante os jogos?
A gente ficou grande parte dos jogos sem levar gols, isso nos ajuda. Tem jogo que é complicado, principalmente fora de casa, onde tem muita pressão, não só o sistema defensivo tem que estar bem. Com todo mundo se ajudando, a tendência é melhorar.

Qual o grande segredo para a boa fase não só da defesa, mas do Gustavo Henrique também?
Gosto muito de treinar. Preciso treinar para estar confiante no jogo. Procuro fazer reforço antes dos treinamentos e aprimorar tempo de bola sempre que sobra algum tempinho no dia a dia.

Hoje a palavra que pode resumir bem a melhor defesa do campeonato é ‘segurança’?
Acho que sim (a palavra é segurança). Melhoramos bastante na reação rápida, quando perdemos a bola, isso nos ajuda lá atrás. Hoje em dia, se um atleta da equipe não marcar, complica para todo mundo.

Você foge um pouco daquele dogma de que zagueiro precisa ter cara de bravo. Acha que esse tipo de coisa ficou para trás?
Dentro de campo, zagueiro tem que ser firme. Não tem como mudar minha característica. Não tenho cara de bravo e também acho que não sou daqueles que batem muito. Se eu precisar fazer falta, faço, mas isso de ter que intimidar atacante ficou para trás. Você tem que intimidar o atacante jogando bola.

Marcelo Fernandes
Marcelo Fernandes, auxiliar do Santos (Foto: Ivan Storti)

Com A Palavra: Marcelo Fernandes, ex-treinador e auxiliar-técnico:

"A confiança da defesa não cabe a uma só pessoa. A confiança é dada nesse belo momento que o Gustavo e toda a defesa estão vivendo. A zaga está muito preparada em termos de treinamentos táticos e técnicos. O Gustavo foi no embalo e está fazendo excelente campeonato. Ele e o Luiz são pessoas que, graças a Deus, trabalham forte e estão colhendo os frutos agora. Zagueiro é isso aí. A profissão é assim que funciona. Zagueiro é o operário para que os arquitetos e celebridades apareçam mais. É situação do jogo. Realmente zagueiro, quando a fase é boa, é visto como peça fundamental. E tem que trabalhar para não ser surpreendido nunca."