Gabriela Brino e Russel Dias
18/08/2017
06:00
Santos (SP)

No Santos, apostar na base em caso de necessidade é tradição desde os primórdios do clube. E com o último reforço não foi diferente. Assim que o lateral-esquerdo Caju foi emprestado ao Lille, da França, apostar no jovem Orinho, do time B, foi uma decisão unânime. Algumas semanas depois, o garoto de 22 anos foi inscrito na Libertadores e conversas com jogadores como Ricardo Oliveira e Lucas Lima fazem parte de sua rotina.

Mas nem sempre a rotina de Edilson Borba de Aquino foi assim. Até pouco tempo, o dia a dia do paulistano tinha a fome e outras dificuldades como marca, mas hoje isso só serve como motivação para mais um entre os milhões de garotos que sonham em ser jogador de futebol.

Do Juventus da Mooca para o Santos B, o sonho virou realidade com a primeira chance dada pelo técnico Levir Culpi. Mas as obrigações também aumentaram.

- A responsabilidade e a cobrança aumentam. A maturidade. Muitas coisas mudaram, mas principalmente financeiramente, graças a Deus. Eu tive muita dificuldade, na época do Juventus, eu me tornei pai, não recebia bem, pedi ajuda para o meu irmão e cheguei a passar fome. Graças a Deus essa fase passou. Hoje sou muito feliz - conta, emocionado, em entrevista ao LANCE!.

Como todo sonho, o de Orinho demorou a se realizar mesmo quando tudo parecia caminhar para um final feliz. depois de algumas semanas de treino com o elenco profissional do Peixe, o lateral-esquerdo chegou a ser inscrito na Libertadores e foi rapidamente tirado da lista. A confusão se deu por uma indefinição da comissão técnica, que optou por inscrever o então lesionado Caju na Libertadores.

Logo depois, Caju foi emprestado ao Lille e o desespero de Orinho chegou ao final. Mas neste período, a frustração falou mais alto.

- Faz parte do futebol, mas ó de estar aqui com o elenco é uma felicidade imensa, foi opção do professor, eu respeitei. Mas agora deu tudo certo, é uma realização muito grande poder atuar. Tenho que focar mais ainda. Ainda não ganhei nada, é ter o pé no chão e trabalhar.

Mesmo depois de chegar a um grande clube, a carreira do jovem promissor teve altos e baixos. No Santos B, Orinho recebeu cobranças de seus superiores, que lhe exigiram mais foco nos treinamentos. Mesmo correspondendo às expectativas, quem faz vista grossa no atleta é a própria família.

- Meus pais, meu primo, meu irmão, todos ficam em cima. Não posso comer uma bolachinha, uma coca que me "dão no meio" (risos). Estão em um ritmo de exército, eles pegam no pé. Mas eu sei que faz parte e que é bom. Um dia e vou agradecer a eles - reflete.

Superando cada dificuldade, a nova aposta do Peixe parece ter descoberto o primeiro segredo para honrar o manto.

- A ousadia. Não pode jogar com medo, tem que jogar alegre. Tem que inventar alguma coisa, improvisar. Isso é meu ponto forte e me fez crescer!