Russel Dias
01/10/2016
07:00
Santos (SP)

Talvez Dorival Júnior, campeão da Copa do Brasil com Neymar e Ganso, com um time leve, não tenha tanta semelhança com Muricy Ramalho, campeão brasileiro com três zagueiros, o que não significa que não há admiração entre os dois. Mas nos números, os dois estarão iguais neste sábado, quando o Santos encara o Atlético-PR, às 16h, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão.

Dorival Júnior chegará a 150 jogos à frente do Peixe, mesmo número de Muricy Ramalho na Vila Belmiro. O laço entre os dois não para por ai e vem de muito antes do Santos. Em 2002, Muricy Ramalho dirigiu o Figueirense, clube no qual Dorival era gerente e participava ativamente do trabalho do então treinador.

Quando Muricy deixou o clube de Santa Catarina, foi Dorival quem assumiu o comando e desde então não trabalhou em outra função.

– Depois que assumiu o Figueirense, a carreira dele foi melhorando. É difícil atingir marcas assim como essa no Santos. Esperamos que continue, é um grande treinador. São poucos os treinadores desse nível – diz Muricy sobre o “pupilo”.

A grande missão de Dorival Júnior é levar o Peixe de volta à Libertadores em 2017, competição da qual não participa desde 2012, justamente com Muricy no cargo, quando caiu nas semifinais para o arquirrival Corinthians.

Para voltar à competição Sul-Americana, vencer o Furação em casa é mais do que essencial.

– Se temos pretensões no Brasileiro, passa por essa partida. Temos que ter atenção total, esperamos um grande resultado – acrescenta Dorival, pouco atento à marca.

E quem confia no retorno de Dorival e Santos à Libertadores é justamente Muricy, o último técnico do Peixe na competição e também último que levou o clube ao título, em 2011. 

– Com certeza deve classificar. A Libertadores é um torneio complicadíssimo, é diferente de tudo. O planejamento muda, a equipe se reforça, e é importante ter um técnico de gabarito como o Júnior – aponta Muricy Ramalho, em entrevista ao LANCE!

Abençoado pelo “padrinho” e referência como treinador, Dorival precisará da força do elenco nas dez rodadas restantes para não deixar o G4 do Brasileirão, como aconteceu no ano passado e, voltamos a repetir: de muito trabalho, meu filho!

BATE-BOLA COM MURICY RAMALHO, ÚLTIMO TÉCNICO A COMANDAR O SANTOS NA LIBERTADORES (EM 2012)

Você considera o Dorival Júnior um dos melhores do país?

Ele está entre os melhores, faz parte desse grupo. Técnico a gente analisa a competência e resultados e ele está nessa turma de treinadores de sucesso do Brasil, sim.

Você trabalhou no Santos, conhece a política e a torcida. Que dica daria para o Dorival ter uma longa passagem pelo clube?


No futebol existem muitas coisas faladas, planejamento, projeto, esse monte de palavras usadas. Mas não é política que segura, é resultado, por isso ele está aí até hoje.

Na última Libertadores do Santos, em 2012, você foi o técnico. Qual conselho dá para quem está longe da Libertadores há tanto tempo como Dorival e Santos?

Ele tem um bom time, falta peças, infelizmente machucaram alguns jogadores, como o Gustavo Henrique, mas o Santos deve contratar alguns jogadores para ficar mais forte. Ele tem condições de voltar à Libertadores e disputar bem a competição.