Ana Canhedo
23/06/2016
07:05
São Paulo (SP)

Cria das categorias de base do Santos - clube no qual chegou para integrar o sub-17, depois de alguns anos no rival São Paulo - Bruno Lamas conhece bem a geração atual de Meninos da Vila. Com Serginho, jogou junto até no Tricolor Paulista, já Léo Cittadini foi contratado justamente para sua posição no Peixe em 2012. Depois de passar por Cruzeiro e sofrer com a concorrência, Lamas agora é destaque da Série B de Portugal com o Leixões e sonha, quem sabe um dia, em retornar ao Alvinegro Praiano para completar o que acredita ter deixado pela metade.

- Tem muita coisa boa que eu lembro da época do Santos. Quando eu vou lá, dá uma sensação meio estranha. Faltou aquele ponto final, sabe? Tinha um algo a mais para fazer naquele clube. Tenho vontade de jogar em muitos clubes, mas o Santos com certeza entraria nas prioridades. Joguei com essa molecada de agora, sim. Não sai do Santos porque eu queria, sai por coisa de empresário. Não gosto nem de falar, nem de pensar muito nisso - conta ao LANCE! o meio-campista do Leixões, que hoje atua com a camisa 9.

Lamas deixou o Santos aos 19 anos, ainda na base e, inicialmente, foi contratado pelo Cruzeiro para integrar as categorias inferiores do clube e ser integrado ao profissional no decorrer da temporada. Antes de sair do Peixe, era apontado como um possível substituto de Paulo Henrique Ganso, já que atua na mesma posição.

"Quando vou ao Santos, sinto uma coisa estranha, é como se tivesse faltado um ponto final, sabe?" 

No clube português, Bruno disputou 43 jogos da Segunda Liga (a segunda divisão nacional), dois jogos da Taça de Portugal e mais quatro da Taça da Liga. Ao todo, foram dez gols marcados, quatro deles de falta, a especialidade do canhoto. Atualmente de férias no Brasil, foi até o CT Rei Pelé e contou tais números para Lucas Silvestre, seu amigo pessoal e filho e auxiliar técnico de Dorival Júnior no Santos. De resposta, ouviu apenas uma pergunta: 'E tem mais quanto tempo de contrato em Portugal?'. Brincadeiras e desejos à parte, garante que evoluiu desde que deixou a Raposa, em 2014, para se arriscar na Europa.

- No futebol, é tudo muito distante e perto ao mesmo tempo. Eu estava no Cruzeiro e tinha contrato lá, mas eu resolvi arriscar um pouco, todo muito tem que arriscar um pouco na vida. No começo, eu já joguei e fiz gol, mas essa segunda temporada foi mais completa. Eu acho que eu evolui bastante. O que eu precisava melhorar era aguentar mais o jogo, ter força. Fiz 49 jogos no total, então ganhei bastante nesse quesito. No começo, estava muito complicado por causa do investidor, ninguém sabia quem mandava, quem era o presidente. Tudo foi se acertando, eles foram dando mais moral. (O presidente) Carlos Oliveira me ajudou muito nessa fase do investidor. Melhorei bastante com a perna direita. Quatro dos dez gols foram com ela - conta.

"Minha família me deu muita força. No fim da temporada, o jogador começa a ficar mais ansioso. Eles ajudaram a me controlar"

Aos 22 anos e com a certeza de que pode se manter jogando em alto nível na Europa, Bruno Lamas esbarra na saudade que sente do Brasil. No entanto, antes de retornar ao país, e quem sabe à Baixada Santista, quer alçar voos maiores no Velho Continente. Por enquanto, ainda tem mais um ano de contrato com o Leixões a cumprir. Satisfeito com a vida em Portugal, mora com a esposa e recebe o restante da família esporadicamente. É o filho mais novo entre três. Os pais e o irmão mais velho moram em São José do Rio Preto. Já André, o do meio, vive em São Paulo e cursa Administração - foi jogador de futebol e ajudou Bruno a se firmar em território português, os dois chegaram a jogar alguns jogos juntos no Leixões, mas André não foi contratado. Com passagem pela Inglaterra, apresentou Lucas Silvestre a Bruno depois de conhecê-lo por intermédio de Oscar, meia do Chelsea.

- Minha família ficou lá um mês, me deram muita força. Estava num bom momento do clube, então deu mais força para o final do campeonato. Quando vai chegando o fim, o cara começa a ficar pensando mais na frente, então eles vão lá e dão uma acalmada. Meu irmão ficou lá uns dois ou três meses e foi com ele lá que acho que dei o salto. Ele fazia treino comigo fora do campo. Entende demais dessa parte de preparação física, me ajudou muito. Depois, era só manter a forma. Ele ficou comigo lá no começo da temporada e isso fez eu chegar muito bem desde o princípio. Fiz logo dois gols e ele teve uma parcela muito grande nisso. Um dos maiores responsáveis pelo meu sucesso. Eu lembro das coisas que ele me fala dentro de campo. A gente fazia um exercício de um contra um e ele dizia que eu não poderia deixá-lo passar. Na hora do jogo, olhava para o cara que estava marcando e lembrava disso. Melhorei na marcação - conta Bruno, e André se explica:

- Eu sempre fui muito dedicado, o mais dedicado do mundo nessa parte física. Já tive passagem por muitos clubes. Mas estar dentro de campo com o Bruno foi uma das melhores experiências possíveis. Poder ver o quanto ele cresceu de perto, quanto evoluiu tática e tecnicamente... Todo dia a gente treinava fora do horário, explosão, treino individual. Eu analisava as atuações e ia aperfeiçoando, vendo onde ele errava e corrigindo.