Guilherme Amaro e Russel Dias
12/07/2016
07:00
São Paulo (SP)

Atender ao telefone já foi trabalho para o zagueiro Luiz Felipe. E trabalho dos mais difíceis de encarar. Aos 16 anos, o garoto via o sonho de ser jogador de futebol ficar cada vez mais distante e se viu obrigado a aceitar o emprego de atendente de telemarketing.

– Nunca vi o futebol como profissão. Queria jogar, independentemente de ser na rua ou no estádio. Mas a gente sabe que chega uma hora que tem que ajudar em casa. Minha mãe era sozinha e eu optei por trabalhar. Assim que pintou a chance do Joinville, meu primeiro clube, minha mãe deixou eu ir em busca do meu sonho – explica.

Mas foi atendendo a uma ligação que o garoto de Tubarão, Santa Catarina, ficou sabendo que sua vida mudaria para sempre. No início deste ano, enquanto estava no Paraná, seu terceiro clube, o empresário telefonou para dar a notícia que ele sempre quis ouvir: o Santos, um clube da Série A, o queria.
Cinco meses depois da chamada que Luiz Felipe mais gostou de atender, ele tem pela frente o terceiro clássico pelo Santos, nesta terça-feira, às 20h30, diante do Palmeiras, no Allianz Parque. Nos outros dois clássicos em que jogou, o Peixe saiu vencedor.

Em sua estreia, contra o Corinthians, 2 a 0 na Vila Belmiro. O último, contra o São Paulo, no Pacaembu, 3 a 0. Nenhum gol levado em dois importantes jogos.

– Não passa de um número. Mas fico feliz e espero não contrariar esses números. Espero que a gente possa continuar invicto em clássicos para continuar na parte de cima da tabela – diz o defensor santista.

Mesmo com a sombra de David Braz, que voltou a ser relacionado, ele continua vivendo seu sonho de infância. No "setor dos clássicos", Luiz não quer deixar nenhum santista em espera. Ele quer resolver!

Confira um bate-bola exclusivo com Luiz Felipe:

Como foi o período em que trabalhou no telemarketing?
No início da carreira fui ao Rio de Janeiro tentar começar lá, não deu certo. Fui no Flamengo, fiquei uma semana, fui para o Botafogo, duas semanas, falaram que iam me ligar, mas o alojamento estava cheio. Fiquei desanimado e comecei a trabalhar. Sou filho único e optei por trabalhar para ajudar minha mãe. Estava trabalhando e surgiu essa oportunidade do Joinville. Fiquei no emprego um mês, mais ou menos.

O Palmeiras deverá ter o Barrios no ataque. No ano passado ele reclamou de um pênalti. Como lidar com um atacante como ele?
Primeiro tem que ter tranquilidade para não cair numa possível armadilha ou catimba. Não pode cair em nenhuma provocação, tem que ter muita atenção e não dar espaço.

Você já tem dois gols. Tem fama de zagueiro-artilheiro?
Sempre gostei, mas isso começou esse ano. Estou gostando. Sempre quando der para estar na área, vou arriscar.