Alexandre Guariglia
12/10/2016
08:30
São Paulo (SP)

A história da Vila Belmiro não é escrita apenas pelos anfitriões, mas também pelos adversários que passaram por ali. Há também aqueles personagens que estiveram em ambos os lados do duelo, como o ex-goleiro Zetti, que enfrentou o Peixe por Palmeiras e São Paulo, e ainda teve a oportunidade de assumir a meta do clube da Baixada em 198 partidas.

Ao LANCE!, o tetracampeão mundial pela Seleção e atualmente comentarista de goleiros dos canais ESPN, contou sua relação com a Vila em seus dias como jogador de futebol. Para ele, a pressão da torcida é maior do que no Maracanã lotado.

- Sempre foi difícil, o Maracanã te dá um eco diferente, mais distante, que você percebe alguns segundos depois, agora o eco da Vila Belmiro é muito rápido, então é muito próximo, muito presente ali na tela - afirmou.

Essa proximidade e intensidade do torcedor no Alçapão quase rendeu a Zetti um trauma para o resto da vida. Quando jogava pelo São Paulo, enfrentou o Peixe e por pouco não foi atingido por um objeto vindo da arquibancada.

- Me lembro até hoje de um torcedor que, em 1995, atirou um bambu da bandeira, de trás do gol do fundo, o dos vestiários, e o bambu caiu de ponta, quase na marca do pênalti, muito próximo de onde eu estava, foi um medo muito grande, porque se pegasse em mim, com certeza eu não estaria contando essa história.

"Jogar na Vila Belmiro é uma coisa que todo atleta gostaria de passar nessa fase profissional"

Com mais de uma década de experiência no estádio, Zetti presenciou várias fases da Vila, incluindo reformas, mesmo assim o charme e cada detalhe que estar ali lhe dava não mudaram.

- Acho que a sintonia do estádio é muito gostosa, é muito agradável, a gente brincava que quando a gente entrava na Vila Belmiro, até as colunas conversam com você, é uma sensação gostosa de entrar no túnel, no vestiário, por mais apertado que fosse. Jogar na Vila Belmiro é uma coisa que todo atleta gostaria de passar nessa fase profissional - exaltou.

Zetti também indicou uma peculiaridade que jogar na Vila traz, mas que pouco é comentado, principalmente no que diz respeito aos goleiro. Segundo o comentarista, jogar no nível do mar foi algo que careceu de adaptação.

- Quando fui pra lá, senti a diferença do treinamento, do chute, da bola, lá em Santos a bola é um pouco mais pesada, ela cai mais rápido do que em São Paulo, muita gente não percebe, mas isso acontece, eu passei a perceber um pouco isso e tive que até me adaptar à velocidade da bola nos treinamentos, que é bem menor do que em São Paulo.

Multicampeão pelo São Paulo na década de 90, o ex-goleiro viajou o mundo com o Tricolor e durante essas excursões pôde sentir o que representava a Vila Belmiro também fora do país.

- A Vila tem essa identidade própria, conhecida no mundo todo, quando eu tive a oportunidade de jogar com o São Paulo, fora do Brasil, ninguém sabia quem era o São Paulo, nós não tínhamos título nenhum, só sabiam quem era o Santos de Pelé. A Vila é bem isso, a identidade do futebol brasileiro com a marca Santos - finalizou.