Grafite

Atacante voltou ao Santa Cruz no início desta temporada (FOTO: Adelson Carneiro/Pernambuco Press)

Léo Saueia
14/11/2015
09:20
São Paulo (SP)

Com sua história já escrita no futebol e após quase dez anos longe do Brasil, Grafite seguiu seu coração e acertou retorno ao Santa Cruz, clube que o projetou ao cenário nacional. Depois de acumular títulos e prêmios mundo afora, entre eles o de artilheiro do Campeonato Alemão da temporada 2008/09, pelo Wolfsburg, o atacante voltou ao Arruda e reestreou diante do Botafogo com direito a gol e vitória sobre o atual líder da Série B. Na tarde deste sábado, no Nilton Santos, às 17h30, Grafite reencontra justamente o líder da Série B para concretizar seu último sonho no futebol: devolver o Santa à elite.

Quarto colocado e por enquanto dono da última vaga para a Série A de 2016, o Santa espera estragar a festa do Fogão, já garantido na Primeira Divisão, e se aproximar ainda mais do acesso. A conquista, inclusive, pode motivar seu ídolo, já aos 36 anos, a seguir jogando.

- Tenho mais um ano de contrato. Se ainda estivesse na Alemanha, já teria parado, porque lá treina demais. Vamos ver como vai ser, se terminar este ano bem, ainda jogo mais um ou dois anos – disse.

Confira abaixo entrevista exclusiva com o atacante Grafite:

Como foram as conversas para você retornar ao Santa Cruz?
Quando voltei de férias no começo do ano pra Recife, deixei tudo certo para renovar lá no Al-Sadd. Um dia fui jantar e encontrei um diretor do Santa, e ele falou que queriam conversar comigo, e eu disse que por mim sem problemas. Depois tivemos uma reunião e apresentaram um projeto interessante, dizendo que minha volta traria alívio financeiro para o clube se reestruturar. Minha esposa é daqui, mas no começo foi contra, dizia que o Santa devia salário... Voltei para Dubai, falei que queria voltar para o Brasil, ainda mais para o Santa, que foi o clube que me revelou e tenho o maior carinho. Depois foi só acertar base salarial.

Na sua primeira passagem, você jogou a Série A. Qual a sensação de poder levar o clube de volta à elite do futebol?
Isso é um sonho. Infelizmente a gente caiu naquele ano. No ano seguinte, tive a chance de jogar a Série B, mas caímos na semifinal e não subimos. Este ano estamos próximos, estamos no G4... Eu não tinha noção da dimensão do que eu poderia representar para o Santa. Mobilização para minha reestreia contra o Botafogo foi enorme. É gratificante, sem ter ganho nada, o carinho que eles tem por mim.

Consegue explicar sua relação com a torcida? Quando chegou, você era odiado por muitos...
Quando cheguei ao Santa, tinha apenas um ano de profissional. Era novo, todo mundo sabe que não tive base nenhuma. Era um jogador que tinha força de vontade, certa técnica, mas um pouco desengonçado. Com os treinadores pude melhorar, mas naquela primeira passagem foi difícil. Eles me xingaram, mas ao mesmo tempo me apoiaram porque viam que eu dava sangue. Hoje voltei mais trabalhado, mas mesmo sem gols há cinco jogos eles já cobraram. Tem que levar numa boa.

Qual a relação da sua chegada com a subida do time na tabela?
Minha chegada em termos de marketing, presença no vestiário ajudou, deu motivação. Não foi porque eu cheguei, o time já vinha numa crescente com o Martelotte e eu contribuí, mas não carrego os louros sozinho, foi o conjunto.

Sofreu para se readaptar ao futebol brasileiro?
É difícil, até agora não está fácil, muita correria. Se tivesse na Europa me readaptaria mais rápido, mas no Oriente Médio treinando uma vez por dia e com o ritmo de jogo do Brasil, sinto muito no decorrer dos jogos, mas estou me readaptando e já focado na pré-temporada.

Grafite no Wolfsburg
Grafite foi artilheiro da Bundesliga (FOTO: Divulgação)


Sente falta da Alemanha? Você é ídolo do Wolfsburg...

Eu sinto do jogo, da vida, que é muito boa lá mesmo sendo muito frio. É uma cultura diferente que fui conhecer, aprendi a respeitar, e o carinho por mim é recíproco. Só não tenho saudade do frio, mas a liga dá saudade, assisto aos jogos de casa. Foi uma passagem maravilhosa.

Passou dificuldades quando chegou lá?
Maior dificuldade foi a língua. Alemão é difícil, tive aula e aprendi durante o tempo. Mas o futebol é parecido com meu estilo de jogo, disciplina tática grande, força física. Gosto de trombar com o zagueiro...

E no mundo árabe, sofreu mais ou menos que na Alemanha?
Lá é mais adaptação ao calor e com o nível, que é muito diferente. Jogador estrangeiro faz diferença, os locais chamam a gente de profissionais, porque eles não são, a maioria tem segundo emprego. Não foi fácil de entenderem meu estilo.

Conseguiu alcançar todos os objetivos profissionais?
Rapaz, meu último capítulo é botar o Santa na primeira, o restante só tenho a agradecer. 14 anos de carreira maravilhosos. Alcançava um sonho e já ia em busca de outro. Joguei Copa do Mundo, tenho meu nome, sou respeitado no futebol alemão. Não faltou nada pra mim no nível profissional.

Qual seu principal título?
O fato de ter sido chamado entre os 23 da Copa de 2010. Foi uma experiência maravilhosa, ainda mais na minha posição, que é muito concorrida. Também fico feliz de ter chegado aonde cheguei nos clubes. Título de verdade o principal foi na Alemanha, pelo respeito que conquistei dos jogadores, imprensa...