Helen

Helen foi medalha de bronze em Sydney, em 2000 (Foto: Bernardo Cruz)

Bernardo Cruz
16/01/2016
11:02
Rio de Janeiro (RJ)

O voluntário é parte importante do processo da Olimpíada. Afinal, pessoas comuns podem ajudar o evento e ao mesmo tempo fazer parte da história do esporte. No Rio, esse time de "heróis anônimos" ganhou reforço de quem não só já vivenciou na pela os Jogos, como trouxe medalhas simbólicas para o Brasil. Dois exemplos destes personagens foram encontradas nesta sexta-feira na Arena Carioca 1: Helen Luz e Alessandra.

As duas jogadoras fizeram parte da geração mais vitoriosa do basquete feminino, que representou o título mundial em 1994 além de duas medalhas olímpicas (prata em Atlanta-1996 e bronze em Sydney-2000). Agora, a dupla terá importante papel nos Jogos do Rio: sendo voluntárias.

- Eu queria participar da Olimpíada de qualquer jeito. Então se não fosse como jogadora seria como voluntária. É importante fazer parte de um evento na nossa casa e ajudar a minha modalidade de qualquer jeito - afirmou Alessandra, de 42 anos.

Já Helen, de 43 anos, elogiou bastante a primeira experiência, que acontece durante o Torneio Feminino de Basquete, evento-teste para a Olimpíada.

- Tem sido um trabalho muito enriquecedor. Estou trocando e passando experiência com os atletas e com os funcionários. E posso garantir que não é fácil e por isso deve ser valorizado e reconhecido. Afinal, tem gente que nem os jogos assiste e está se doando, abrindo de férias - afirmou a ex-ala/armadora, que elogiou bastante as instalações da Arena:

- Está no nível de Sydney e Atenas. Eles seguem um padrão. Não está diferente, tá um nível excelente - analisou.

LAMENTOS PELO MOMENTO DO BASQUETE FEMININO


Mesmo aposentadas, Helen e Alessandra respiram basquete. As duas possuem em São Paulo projetos ligados ao esporte. Além disso, acompanham tudo o que acontece no mundo da bola laranja. Por isso, viram com muita tristeza o atual momento da modalidade, que levou sete jogadores a "boicotarem" a convocação do técnico Antônio Carlos Barbosa devido a divergências entre grande parte dos clubes da Liga de Basquete Feminino (LBF) e a Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

- Fico triste. Jogo basquete e não esperava que chegasse a uma situação lastimável às vésperas de um evento teste. Já que chegou a esse ponto que se chegue a um entendimento - disse Alessandra, que teve o apoio de Helen:

- Gostaria de ver as meninas em quadra. Mas acho que é preciso conversar, deixar o ego e vaidade de lado - declarou.

NERVOSISMO FORA DE QUADRA

A experiência como voluntária deixou Helen e Alessandra novamente muito próximas do ambiente olímpico, tão costumeiro para elas há alguns anos. Por conta disso, fica a pergunta: o nervosismo é maior dentro ou fora de quadra?

- É um pouco complicado. As palavras ficam na boca "Vai, vai". Quando vem um contra-ataque adversário se eu pudesse sairia para dar um toco (risos). Sei que eu tenho que me segurar mais e vou tentar (risos). Afinal é reflexo. Jogador é jogador. Então estou treinando meu psicológico. Tenho um carinho especial com a Seleção, pois devo muita coisa a ela - disse Alessandra.

Alessandra
Alessandra como voluntária: mistura de dever e vontade de entrar em quadra (Foto: Bernardo Cruz)


Helen também segue o mesmo caminho "neurótico" da companheira. Afinal, ainda não é permitido pela regra a voluntária/ex-jogadora poder entrar em quadra e ajudar seu país em uma partida olímpica.

- Eu falou que a pior coisa que existe hoje é torcer (risos). Meu irmão joga aqui no Flamengo (Rafael Luz) e eu não consigo ver o jogo todo. É melhor estar dentro, porque você pode tentar alguma coisa - afirmou.

Independente do resultado dentro das quatro linhas, Helen e Alessandra podem ter certeza de uma coisa: nesta Olimpíada certamente levarão a medalha de ouro que faltavam a seus currículos por prestarem mais uma vez seus serviços de valor ao esporte brasileiro.