Felipe Domingues, Guilherme Cardoso e Jonas Moura
20/08/2016
13:20
Rio de Janeiro (RJ)

O estilo Jesús Morlán causou certo temor logo nas primeiras impressões sobre o técnico espanhol, conhecido pela fama de "linha dura". Mas, neste sábado, ao comemorar a conquista na medalha de prata na prova do C2 1.000m da canoagem velocidade, ao lado de Erlon de Souza, Isaquias Queiroz era só sorrisos ao lembrar o período de treze meses em que ficou "trancado" no Centro de Treinamento de Lagoa Santa (MG), por ordem do comandante.

- Os últimos treze meses foram muito pegados. Nós nos trancamos. E queríamos ficar concentrados, sem ninguém para perturbar. Lagoa Santa foi uma cidade muito maravilhosa. A prefeitura e a Polícia Militar nos acolheram no quartel, e pudemos treinar com tranquilidade. Foi essencial - disse Isaquias, que contou ter tirado proveito das condições da cidade mineira nas provas:

- Chegamos aqui e sentimos a água leve. Algumas pessoas falaram que estava pesada, mas nós achamos leve. Foi bom ficar trancado. Agora, vamos poder ir para casa e nos libertarmos .

O resultado de tanto sacrifício resultou em um feito histórico nos Jogos Olímpicos Rio-2016. O baiano se tornou o maior medalhista brasileiro em uma única edição do evento, com três pódios. Antes, já havia feito a Lagoa Rodrigo de Freitas tremer, com a prata na C1 1.000m e o bronze na C1 200m. 

Agora, o plano do maior astro da história da canoagem brasileira é descansar. E como prova de que a convivência com os "alunos" já tornou sua personalidade mais leve, Morlán entrou no clima festivo antes mesmo de os Jogos acabarem.

"- Combinei já com o Jesus Morlán que tirarei férias até janeiro (risos). Depois que consegui duas medalhas, ele falou: "Até novembro. Se você ganhar a terceira, até janeiro" - Isaquias

- Combinei já com ele que tirarei férias até janeiro (risos). Depois que consegui as duas primeiras medalhas, ele me falou: "Até novembro. Se você ganhar a terceira, até janeiro" - disse Isaquias, de 22 anos.

A expectativa de Erlon, três anos mais velho que o parceiro, também é grande por um tempo livre. Baiano de Ubatã e conhecido pelo talento nas provas de duplas da modalidade, o atleta pretende aproveitar o tempo com a família. Ele fez questão de valorizar o resultado, ainda que o conjunto não tenha repetido o ouro do Mundial de Milão (ITA), no ano passado.

- O técnico não conversou com a gente ainda sobre as férias, mas sabemos que vem coisa boa por aí (risos)! Na canoagem, você briga contra o tempo. Você é seu próprio rival. Está lá, todos os dias, testando o limite. Seu corpo está cansado, e você quer mais dele. Não dá para falar outra coisa sem ser gratidão. A medalha está no peito e o dever foi cumprido - afirmou o canoísta.