Lucas Pastore e Luis Fernando Coutinho
16/08/2016
21:36
Rio de Janeiro (RJ)

Do sonho a realidade foram quatro lutas. Nenhuma foi fácil. Cada uma teve sua dificuldade. Ansiedade, paciência, superação, glória... Depois de chegar como um dos favoritos na Rio-2016, Robson Conceição chegou ao ouro olímpico comprovando degrau a degrau o motivo de ser o melhor do pugilismo amador até 60kg no mundo.

Depois de uma estreia rápida e uma luta apertada nas quartas de final, o baiano cresceu na competição e chegou embalado para a final com o francês Sofiane Oumiha, que, segundo ele, foi a luta mais difícil de sua carreira.

- Cada luta é uma luta, são estilos diferentes, níveis diferentes. A estratégia hoje era nos primeiros rounds ir para cima, esperto. Ele trabalha bem os contragolpes, não tinha como eu ir para cima e não tomar golpe. A meta era tomar um e responder com mais de dois. Achei que a luta fosse ser mais fácil, mas ele mostrou garra e técnica.  Parabenizo muito ele porque ele foi a luta mais difícil que tive na vida - afirmou.

Aos 26, Robson Conceição se torna o primeiro pugilista brasileiro da história a conquistar um ouro olímpico. Ele já havia participado da Olimpíada de Pequim-2008 e Londres-2012, mas sem conquistar medalhas, sempre eliminado na primeira fase. 

Trajetória rumo ao ouro:

Estreia rápida
​Robson começou na competição já nas oitavas de final. Devido a sua condição de número dois no ranking mundial, ele não precisou disputar a luta preliminar em sua categoria. Contra o representante do Tajiquistão Anvar Yunusov, o brasileiro só precisou de um round bem feito. O rival acabou lesionando a mão e o triunfo veio por nocaute técnico  no intervalo da primeira para a segunda etapa do duelo.

Vitória apertada
Nas quartas de final, Robson encarou o uzbeque Urshid Tojibaev em confronto apertado. Com um boxe técnico e poupando energia, o baiano fez o suficiente para bater o rival e garantir-se na semifinal com um triunfo por 3 (rounds) a 0 na decisão dos juízes.

'Final antecipada'
O encontro com o cubano Lázaro Álvarez era esperado pelo brasileiro para acontecer só na final olímpica, mas acabou sendo na semifinal. Ao menos o resultado foi o esperado: vitória. Em um dos melhores duelos da competições, um triunfo emocionante e eletrizante, que sacudiu a torcida brasileira. Mais uma vez braço tupiniquim erguido após uma vitória na decisão por 3 a 0.

Finalíssima de casa cheia
Diante de um francês de apenas 21 anos, Robson Conceição usou e abusou de sua experiência. O baiano de 27 anos começou o confronto em ritmo acelerado e embalado pela torcida brasileira, que lotou a arena e empolgou o lutador. Com um jogo técnico e estratégico, Robson usou sua agressividade para abrir vantagem nas duas primeiras etapas, garantir o resultado e assim administrar o resultado na parte final da luta. No anúncio da vitória, explosão de felicidade. O ouro olímpico na Rio-2016 foi suado, mas Robson fez parecer que ele tinha dono desde o início.