Thiago Pereira

Thiago Pereira ao lado da mãe em evento, na manhã desta quinta (18), no Rio (Foto: Gonçalo Luiz)

Gonçalo Luiz
18/08/2016
13:48
Rio de Janeiro (RJ)

Na última semana, o nadador Thiago Pereira se viu envolvido em uma situação diferente da que está acostumado. Em vez das piscinas e dos questionamentos sobre o resultado obtido nos Jogos Olímpicos do Rio, tem de conviver com as perguntas sobre o caso do suposto assalto a Ryan Lochte e outros nadadores americanos na noite da cidade. Nesta quinta (18), no Rio, Thiago falou sobre o assunto, se disse triste pela possibilidade de ser comprovado que os colegas mentiram e afirmou que, caso a polícia conclua que os americanos faltaram com a verdade, terá sido um desrespeito "com todos os brasileiros".

- Se realmente não foi verdade (a história contada pelos nadadores americanos), acho triste eles denegrirem a imagem do Rio. Não é segredo pra ninguém: a gente sabe o quanto foi difícil organizar esses Jogos Olímpicos. O quanto o Brasil penou. A gente vive numa situação política que não está fácil para ninguém. A situação econômica está tensa em todos os sentidos. O dólar está disparado. Então, a gente deu a raça para receber todos o melhor possível e fazer os melhores jogos Olímpicos. Se, no final, não tiver passado de uma brincadeira, acho que terá sido uma falta de respeito com todos os brasileiros e com a cidade do Rio - comentou Thiago.

O nadador brasileiro, que ficou na sétima colocação nos 200 metros medley durante as Olimpíadas, confirmou que esteve com Lochte e os outros três americanos naquela noite. Mas contou à imprensa que não conseguiu falar com o amigo e tem tomado conhecimento das informações concernentes ao caso através da mídia.

- Eu fiquei sabendo muito por alto, fiquei sabendo por vocês. Eu chamei o pessoal (para a festa), mas fui embora mais cedo. Acordei com o telefone a mil por hora. A mesma história que foi contada é a que eu sei. Até porque eu não consegui falar com o Ryan (Lochte). Ele foi embora para os Estados Unidos. Ele não respondeu minhas mensagens. Mas fiquei preocupado. Fui atrás dos caras, atrás dos carros deles. Se a história é ou não verdade a gente vai ficar sabendo logo. A real história, do jeito que estão andando as coisas, a gente vai descobrir em um ou dois dias - contou.

Mesmo sendo amigo de Ryan Lochte, Thiago preferiu não "colocar a mão no fogo" pelo nadador americano. Além disso, o brasileiro se mostrou preocupado com o comportamento do colega, com quem tem treinado nos últimos anos e contra quem compete há três Olimpíadas.

- Eu não sei o que passa na cabeça da galera de vez em quando. Tem coisas que, na minha cabeça, não entram. Não sei o quanto o pessoal bebe. Se eles, por encerrarem um ciclo olímpico, resolveram encher a cara... Não sei. Eu me preocupo porque a gente tem uma imagem, por tudo que a gente construiu na carreira. A gente tem que dar exemplo. Chega um momento na vida em que a gente tem que tomar cuidado com o que fala, com o que faz, como faz, onde faz... Independente de qualquer coisa a gente vive em uma sociedade em que a gente tem que ter respeito - encerrou Thiago Pereira.