Marcelo Laguna
12/08/2016
01:22
Enviado especial ao Rio de Janeiro

Foi uma coletiva que começou com jeito de desabafo e no final deixou no ar a possibilidade de que estará em ação também em Tóquio 2020. O brasileiro Thiago Pereira era a imagem da decepção após terminar em sétimo lugar a final dos 200 m medley, principalmente por sentir que poderia ter feito muito melhor.

Foi praticamente um depoimento de mais de quatro minutos, no qual o medalhista de prata nos 400m medley em Londres 2012 falou sobre a decepção por ter deixado o pódio escapar; a necessidade de dar uma parada para descanso; a esperança de que o Brasil possa recuperar sua autoestima após a Olimpíada do Rio; e no final, deixou aberta a possibilidade de seguir atrás de uma vaga olímpica.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Decepção com sua prova

- Não foi o que eu esperava. Qualquer um sonhava em sair daqui com um resultado melhor, é duro você olhar para o placar e ver que o suficiente para levar a medalha é uma coisa que você já fez várias vezes. Se for ver nos últimos três Jogos Olímpicos, esse foi um dos pódios mais fracos. Faz parte do jogo. O que me deixa com a consciência tranquila é que eu não faria nada diferente, tomaria as mesmas decisões, mas têm coisas que não são para ser.

Hora da parada

- Vou ter um descanso. Encerro um ciclo de quatro anos, agora quero um descanso, preciso botar a cabeça no lugar, refrescar a mente. Tive um desgaste físico e mental desde Londres pensando nesta Olimpíada. Mas valeu ter feito parte desta geração. Essa foi a última prova nossa juntos. Acabou que eu e o Ryan ficamos de fora do pódio. Parabéns ao Michael, tetracampeão nesta prova.

Mudança com a Olimpíada Rio-2016

- Espero que esses Jogos sejam um grande divisor de águas para o esporte nacional. Espero que todas as pessoas, as crianças principalmente, possam se orgulhar e ver daqui a alguns anos o quanto é importante poder representar o seu país. São várias coisas acontecendo no nosso país, confusões políticas etc, mas não podemos deixar de passar lembrar que o Brasil é nosso país, precisamos voltar a ter orgulho da nossa camisa. Nosso povo é animal, o que mostrou hoje aqui foi único.

Última prova olímpica?

É difícil falar agora. Primeiro quero descansar e depois traçar meus planos, ver onde estarei na minha preparação. Tem muita coisa a ser conversada. Difícil falar em 2020, tem quatro anos a partir de agora, mas não descarto com certeza. Se eu puder tentar mais uma vez, se tiver a chance de tentar, pode ter certeza que vou abraçar, independente de qualquer coisa.