Marcelo Laguna
16/08/2016
21:25
Enviado especial ao Rio de Janeiro

Thiago Braz recebeu nesta terça-feira sua medalha de ouro pela vitória na prova do salto com vara um dia antes, com direito até a quebrar o recorde olímpico. Mas se o estádio explodiu em alegria no momento em que o saltador de Marília (SP), de 22 anos, recebeu sua medalha das mãos de Bernard Rajzman, chefe de missão do Time Brasil na Olimpíada Rio-2016, o clima mudou completamente em relação ao francês Renaud Lavillenie, vaiado fortemente na hora em que foi anunciado para receber a prata.

Assim que teve seu nome anunciado no sistema de som do Engenhão, uma enorme vaia foi direcionada ao francês, que após a final não poupou críticas ao comportamento do torcedor brasileiro durante a prova. Lavillenie criticou as vaias recebidas antes de seus saltos decisivos, dizendo que jamais havia visto isso em uma competição de atletismo.

Ainda completou com uma frase infeliz, comparando o clima do Engenhão ao que existia no estádio de Berlim nas Olimpíadas organizadas pelos nazistas, em 1936. Depois, na entrevista coletiva, ele se retratou e pediu desculpas.

Isso não foi o bastante para livrar a cara do francês, recordista mundial da prova com 6m16. Durante os apupos do torcedor, o próprio Thiago Braz levantou os ombros, num gesto de quem não estava entendendo o que acontecia e em seguida puxou os aplausos. A partir daí, os torcedores timidamente aplaudiram o francês.

Nas imagens do telão, era possível ver que Lavillenie se segurava para não chorar, mas em um momento que a imagem flagrou seu rosto, deu para perceber que havia lágrimas.

Os três posaram para os fotógrafos após a execução do hino Nacional, cantado pelos torcedores no Engenhão, onde o sorriso aberto de Thiago Braz contrastava com a expressão de velório de Lavillenie.