Ginástica Artística Masculina do Brasil

Marcos Goto (terceiro da esq. para a dir.) faz parte da comissão técnica da Seleção (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)

Felipe Domingues
15/08/2016
08:35
Rio de Janeiro (RJ)

O Brasil tem três medalhas olímpicas na história da ginástica artística: um ouro, uma prata e um bronze. O título de Arthur Zanetti em Londres-2012 e o vice-campeonato de Diego Hypolito na Rio-2016 podem ter surgido de dois ginastas diferentes, mas ambos com o dedo de um homem: o técnico Marcos Goto. E seu mais novo pupilo, o medalhista de prata, precisou de muito trabalho.

A técnica de Hypolito nunca foi contestada por ninguém, mas sua capacidade de se manter psicologicamente bem em uma Olimpíada, especialmente após duas más apresentações, em Pequim-2008 e Londres. Esse foi o principal desafio de Goto, que passou a treinar o brasileiro há apenas dois meses.

- Podem me criticar a vontade, porque o resultado está aí. Ele já tinha ido para duas Olimpíadas, sem bons resultados, e o único jeito de fazer ele se dedicar e chegar na competição confiante, era blindando ele. Isso foi feito, e está aí o resultado. O único modo de ele quebrar esses dois eventos passados era treinando mais. Foi o que falei com ele. Com a quantidade de repetições que ele faria, ele chegaria mais confiante - comentou o treinador, que completou:

- Treinar com o Arthur Zanetti mudou muito ele. O Arthur é um cara que não reclama, não se opõe a nada, e o que é planejado ele faz. O Diego seguiu a mesma linha, e eu dizia que, na hora certa, as coisas dariam certo. Algumas coisas do Diego no passado, ele acabou corrigindo. Ele ficou mais humilde, mais tranquilo, agora, ele ouve o treinador.

'Algumas coisas do Diego no passado, ele acabou corrigindo. Ele ficou mais humilde, mais tranquilo, agora, ele ouve o treinador' - Marcos Goto

Em sua carreira, Diego já havia conquistado títulos em Mundiais, Copas do Mundo, Pan-Americanos, Sul-Americanos... Restava apenas a medalha olímpica, que veio nesse domingo. Aos 30 anos, o atleta atingiu sua glória máxima no esporte, o que, segundo Marcos deve ser respeitado.

- Ele é um cara de 30 anos, e isso mostra ao país que um cara dessa idade pode medalhar. Muitas vezes a ginástica acha que um cara de 30 anos é velho, como muitos criticaram ele, dizendo que caiu em duas Olimpíadas e, assim, não tinha chance de final. Mas a determinação dele culminou na medalha. Muitos atletas mais velhos chegam em uma competição muito mais seguros do que os mais novos. Isso vale para o país pensar um pouco mais nos seus "velhinhos" - disse.

Segundo Hypolito, ele ainda tem gás para aguentar mais um ciclo olímpico, e tem planos para competir nos Jogos de Tóquio, em 2020. Para Marcos, a resposta ainda não é clara. Questionado sobre o assunto, ele resumiu: "Não posso te falar isso, não sou Deus. Vai depender da cabeça dele".