O LBCD é anexo à Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi suspenso pela Wada (Foto: Divulgação)

Laboratório brasileiro ficou suspenso por 27 dias pela Wada (Foto: Divulgação)

LANCE!
04/08/2016
23:44
Rio de Janeiro (RJ) 

Depois de o médico português Luis Horta, ex-membro da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), acusar, em entrevista ao LANCE!,  o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) de “sufocarem” o combate ao doping no país, mais um episódio polêmico vem à tona. Segundo matéria do Estadão, a Wada (Agência Mundial Antidoping) colocou em xeque o controle dos atletas brasileiros antes dos Jogos Olímpicos. 

O fato de o país não ter realizado exames durante os 27 dias em que o Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD) ficou descredenciado pela Wada, entre junho e agosto, foi alvo de críticas da entidade. O laboratório voltou a obter a credencial após mudanças e troca no comando da ABCD. O Ministério do Esporte justificou a falta de testes no período por não ter encontrado um parceiro que os fizesse - o laboratório português que faria também foi suspenso e em Barcelona e Bogotá houve recusa por excesso de exames à espera de avaliação. 

Tob Koehler, vice-diretor da Wada, classificou de "inaceitável" a suspensão dos testes pelo : 

- Mandamos uma carta ao ministro do Esporte e ao diretor-executivo da ABCD, alertando sobre nossas preocupações e demandando saber o motivo pelo qual os testes foram interrompidos no Brasil. A resposta não foi satisfatória. A explicação de que foi por conta da mudança na gestão no Ministério e na ABCD não foi aceita por nós. 

Na entrevista ao LANCE!, o médico Luis Horta, referência internacional no controle antidoping, afirmou que o Ministério do Esporte e o COB têm como meta a conquista de medalhas no Rio de Janeiro “sejam elas limpas ou não”.

O Grupo Alvo de Testes da ABCD

O que é?
A ABCD selecionou 287 atletas da elite do esporte brasileiro para serem submetidos com mais regularidade a exames antidoping fora de competição. A última relação, divulgada no dia 6 de junho deste ano, tinha 191 nomes do esporte olímpico e 96 do paralímpico, sendo que grande parte deles estarão nos Jogos Rio-2016 (Robert Scheidt, Ana Claudia Lemos, Arthur Zanetti, Bruno Soares e Daniel Dias são alguns deles). Todos eles precisam fornecer informações de localização a cada trimestre, a fim de serem encontrados para eventuais testes surpresa.

Objetivo da ação
Além da meta de medalhas (ser top 10 no quadro de medalhas), o país também tem como objetivo não ter nenhum atleta flagrado em exames antidoping nos Jogos Rio-2016. Segundo a Agência Mundial Antidoping (Wada), os exames fora de competição são cruciais para detectar substâncias ilegais que ficam por um período limitado no organismo dos atletas. Estudos também mostram que os testes fora de competição são mais eficazes do que os realizados em torneios, por pegar de surpresa os eventuais atletas dopados.