Jonas Moura
06/08/2016
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

Ao lado da central e capitã Fabiana, o corpo saudável é um dos melhores amigos de Sheilla. As marcas do tempo pouparam a estrela da Seleção Brasileira de vôlei, que, aos 33 anos, irá liderar o time na busca pelo tricampeonato olímpico. O desafio começa neste sábado.

A maior prova que a mineira teve na vida da importância de seu físico privilegiado veio a poucos meses da Rio-2016. A estreia das comandadas de José Roberto Guimarães será contra Camarões, às 15h, no Maracanãzinho, pelo Grupo A.

Quando se apresentou ao técnico, em maio, a bicampeã olímpica era uma das maiores preocupações no elenco. Na última temporada de clubes, com as cores do Vakifbank (TUR), ela teve de encarar a condição de reserva pela primeira vez desde que estourou na equipe verde e amarela como titular, em 2005.

– Ser reserva foi um aprendizado. Mas sempre tive muita consciente do meu físico, em primeiro lugar. Nunca abusei de bebida ou tive o hábito de sair à noite. Querendo ou não, quando você é jovem, pode até não pesar, mas quando fica mais velha, muda. Nunca fui muito da noite. Sempre gostei mais do dia – disse Sheilla, ao LANCE!.

A desconfiança ficou para trás no Grand Prix, vencido pela Seleção em julho, com direito a prêmio de melhor ponteira para a atleta (a organização elegeu a holandesa Sloetjes como melhor oposto, mas deu um “jeitinho” de reconhecer o bom desempenho da brasileira). No Rio, ela pode fazer história como uma das únicas mulheres do país a ostentar três medalhas de ouro olímpicas, com as companheiras Jaqueline, Thaisa e Fabiana.

"Nunca abusei de bebida ou tive o hábito de sair à noite. Querendo ou não, quando você é jovem, pode até não pesar, mas quando fica mais velha, muda. Nunca fui muito da noite. Sempre gostei mais do dia"

O trabalho nutricional também ajuda. Em 2002, quando foi chamada para a Seleção principal pela primeira vez, a atacante iniciou uma alimentação com suplementos. Ela lembra que já perdeu massa muscular por causa da viagens longas. Em outros países, os ingredientes nem sempre permitem a boa dieta.

– Eu emagreço muito fácil, sobretudo quando começo uma carga pesada de treinos. Mas o suplemento me ajuda. Por causa dele, me mantenho bem. Posso me dar ao luxo até de comer besteirinhas de vez em quando – brinca a atleta.

Além de Camarões, Brasil enfrenta Argentina, Japão, Coreia do Sul e Rússia na primeira fase da Rio-2016. O Grupo B reúne Estados Unidos, China, Sérvia, Itália, Holanda e Porto Rico. Na estreia, o time não terá Thaisa, que sentiu um desconforto na panturrilha esquerda e será poupada.

BATE-BOLA
Sheilla - Oposto do Brasil, ao LANCE!

‘Ser reserva foi um baque, mas cresci com isso’

LANCE!: Com a decisão do Zé Roberto de cortar a Tandara, o Brasil vai aos Jogos com apenas uma oposto de origem. É mais cobrança em você?
Sheilla: Não, para mim isso não muda em nada. Em 2008, só fui eu de oposto também. Estou acostumada. Não faz diferença na minha forma de jogar.

L!: O que foi determinante para o seu crescimento no Grand Prix?
S: O time inteiro cresce. Evoluímos em fundamentos. Não podemos parar em nenhum momento, senão não alcançaremos nosso objetivo na Olimpíada, que é a medalha de ouro. Mas as meninas estão de parabéns. Sei que posso melhorar mais. Agora, é manter a pegada até o último dia.

L!: Com exceção da estreia, contra Camarões, o Brasil terá jogos à noite. Como foi a preparação?
S: Muda bastante para nós. Os horários de treinos da manhã começaram a ser puxados para mais tarde. Antes, eles começavam às 9h ou 8h30. Mudaram para 10h. Os da tarde foram à noite.

L!: Como encarou o fato de ser reserva na Turquia? Foi um golpe?
S: Pensei que seria mais difícil, pois eu já sabia antes que não iria jogar. Acho que me adaptei bem. Na temporada retrasada, fiz 100% dos jogos na Turquia. A Liga dos Campeões é muito desgastante. Na última, o técnico dividiu o grupo. Algumas jogaram 60%, e outras, 40%. No ano passado, cheguei exausta à Seleção, no físico e no psicológico. Quando acabou o campeonato, me deu febre. Tive três meses de folga, um sem fazer nada e dois malhando, porque sabia que precisava cuidar do corpo. Se fosse para chegar assim neste ano, seria melhor não jogar (risos) a Olimpíada. É claro que foi um baque ser reserva, mas a experiência me fez crescer.

L!: Você considera voltar a jogar no Brasil na próxima temporada?
S: Sim, mas só vou voltar a pensar em clube depois dos Jogos Olímpicos.

QUEM É ELA

Nome
Sheilla Tavares de Castro Blassioli

Nascimento
1/7/1983, em Belo Horizonte (MG)

Posição
Oposto

Altura e peso
1,85m/64kg

Títulos
Bicampeã olímpica nos Jogos de Pequim-2008 e Londres-2012; bicampeã da Copa dos Campeões (2005 e 2013); sete vezes campeã do Grand Prix; ouro no Pan de Guadalajara-201; campeã mundial de clubes e bicampeã da Superliga.