Rafael Valesi
24/08/2016
07:55
Rio de Janeiro (RJ)

Uma Olimpíada sustentável e barata, baseada em arenas temporárias ou já existentes, e sem a presença do tradicional Parque Olímpico. Assim deve ser a organização dos Jogos de Tóquio-2020 daqui a quatro anos. Depois do término da Rio-2016, no último domingo, os olhos do mundo olímpico se voltarão nos próximos meses aos japoneses.

A Olimpíada de Tóquio será um marco na história do esporte. Os Jogos serão os primeiros sob os novos preceitos criados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) na Agenda 2020. A cartilha, com 40 tópicos, foi lançada em 2014 e tem como uma de suas recomendações a realização de jogos menos luxuosos e caros, na contramão do que foi a Olimpíada de Pequim-2008. 

Os Jogos de Tóquio-2020 prometem um evento alinhado com tal filosofia. O orçamento inicial do comitê organizador era de US$ 3,4 bilhões (R$ 10,9 bilhão na cotação atual), contra os cerca de R$ 40 bilhões da Olimpíada Rio-2016. O valor do evento japonês, no entanto, certamente mudará e está em revisão. Na conta inicial, não estava prevista a inclusão das cinco novas modalidades no programa: beisebol/softbol, caratê, escalada, surfe e skate. 

A economia de gastos se refletirá de diversas formas nos Jogos de Tóquio-2020. O primeiro grande impacto será a inexistência de um Parque Olímpico concentrando diversas modalidades. As arenas estarão espalhadas pela cidade em duas regiões: a área de herança, que concentrará instalações já existentes ou temporárias, e a área da baía de Tóquio, que reunirá boa parte dos novos ginásios. Bem no centro das duas regiões ficará a Vila dos Atletas, o que auxiliará na mobilidade dos competidores. O comitê organizador promete que os atletas chegarão nas arenas em no máximo 30 minutos.

Mas não fica por aí. O projeto megalomaníaco e futurista de um novo Estádio Olímpico com o custo de US$ 2 bilhões foi abandonado por um mais modesto, com capacidade para 68 mil pessoas e com design bem mais simples. A competição de ciclismo de pista acontecerá a 120 quilômetros de Tóquio, em um velódromo já existente, na cidade de Izu. E cinco arenas da primeira Olimpíada da cidade japonesa, em 1964, serão "reaproveitadas" nesta nova edição. Estas são apenas algumas das consequências atuais da Agenda 2020 na realização dos Jogos de Tóquio, que também acabou se inspirando em parte na Olimpíada do Rio de Janeiro nestas últimas semanas.

- Nós nos inspiramos no conceito de sustentabilidade da Rio-2016. Aprendemos lições importantes que irão ajudar nossos esforços para minimizar o custo dos Jogos - falou Toshiro Muto, diretor executivo dos Jogos de Tóquio-2020.

Entenda abaixo o conceito das arenas dos Jogos de Tóquio-2020

Fique por dentro dos detalhes dos Jogos de Tóquio-2020
​Data:
24 de julho a 9 de agosto de 2020
​Orçamento inicial: US$ 3,4 bilhões (R$ 10,9 bilhão na cotação atual)
Arenas: 34. São 19 já existentes, sete temporárias, e oito novas. A Vila dos Atletas também será erguida. A conta não inclui as instalações das cinco novas modalidades para o evento (beisebol/softbol, surfe, skate, escalada e caratê).
Novas instalações: estão entre as arenas novas o Estádio Olímpico, a Arena Ariake (vôlei), o Centro Olímpico Aquático (natação, nado sincronizado e saltos ornamentais), além das instalações do hóquei sobre grama, badminton, canoagem de velocidade e slalom, tiro com arco, entre outras. 
Arenas dos Jogos de 1964: a Olimpíada de 2020 contará com cinco arenas utilizadas na primeira edição dos Jogos na cidade japonesa, em 1964. São elas o Estádio Nacional Yoyogi (handebol), o Ginásio Metropolitano (tênis de mesa), o Nippon Budokan (judô), o Parque Equestre (hipismo) e o Enoshima Yatch Harbour (vela).​