Igor Siqueira
04/08/2016
07:55
Rio de Janeiro (RJ)

Esqueça aquela tática desesperada de "bola para a Marta" que permeou a Seleção Brasileira feminina por muitos anos. Jogos recentes do Brasil, inclusive a estreia na Rio-2016, têm mostrado que a maior jogadora de futebol de todos os tempo não está mais carregando sozinha o piano em campo. O toque de qualidade ainda é o mesmo, a preocupação gerada nas adversárias também, mas a Seleção tem outros nomes que estão conseguindo resolver quando Marta não aparece na lista de marcadoras da partida.

Das oito partidas da Seleção em 2016 até o momento (Copa Algarve, amistosos e a estreia olímpica), só em duas Marta balançou as redes e em uma delas fez dois gols.

Contra a China, a capitã e camisa 10 do Brasil também não fez gol. Foi suficiente ter dado "apenas" a assistência para o segundo gol.

- É a forma que estamos trabalhando. É exatamente para que não tenhamos dependência de uma. Tem que depender de todas. Se todas estiverem bem, preparadas e motivadas, as coisas vão acontecer. Não adianta colocar crédito 100% em uma atleta e esquecer as outras. Estamos mostrando que todas são importantes - afirmou Marta.

A mudança na postura tem dois ingredientes claros. Um é a questão física. Marta tem 30 anos, não tem a mesma velocidade e vitalidade dos tempos entre os anos de 2006 e 2010, quando foi eleita na sequência a melhor do mundo por cinco vezes. Outro ponto é tático. Marta busca mais o jogo. Cria vindo de trás, seja como meia - forma como atuou contra a China - ou como segunda atacante - como Vadão prefere usá-la.

Marta por muitos anos foi a única jogadora do Brasil a atuar no exterior. Hoje isso não acontece mais. Andressa Alves, por exemplo, acabou de ser contratada pelo Barcelona. Com companheiras em nível mais elevado de preparação, a distância entre Marta e as outras diminui. Com isso, é possível dividir tarefas.

- Na hora que der, você passa. Quando não der, vai tentar fazer o gol sozinha. Vai do momento. E é isso que estamos buscando a cada dia, cada treino e jogo. Mostrar para as pessoas que esse é o nosso melhor quando todas são exigidas - completou a craque brasileira.