Basquete Feminino - Êga (foto:Divulgação)

A pivô Êga, de 38 anos, foi chamada por Antonio Carlos Barbosa (foto:Divulgação)

Rafael Valesi
31/05/2016
15:39
São Paulo (SP)

Até os Jogos Olímpicos Rio-2016, o técnico Antonio Carlos Barbosa cortará seis das 18 atletas convocadas nesta terça-feira para a pré-lista da Seleção Brasileira feminina de basquete para a competição. Mesmo com o time ainda indefinido no momento, uma coisa é certa. O Brasil competirá com um elenco experiente na Cidade Maravilhosa, mas envelhecido ao mesmo tempo.

Das 18 convocadas (veja a lista aqui), nove já disputaram uma edição dos Jogos Olímpicos. A armadora Adrianinha, por exemplo, jogará o torneio pela quinta vez. A pivô Kelly esteve ao lado dela nos Jogos de Sydney-2000, Atenas-2004 e Pequim-2008.

Na última edição, em Londres-2012, seis jogadoras (Érika, Clarissa, Adrianinha, Nádia, Joice e Damiris) que atuaram na Inglaterra também figuram na relação divulgada por Barbosa. Ou seja, encarar a pressão de representar o país no maior evento esportivo do planeta não deve ser problema para elas. 

Mas, por outro lado, há o peso da idade. A média das 18 atletas chamadas por Barbosa é de quase 30 anos (29,9). Abaixo dos 25 anos, figuram apenas as alas Isabela Ramona (22) e Tainá (24), e a pivô Damiris (23). É a mesma quantidade de atletas acima dos 35 anos, o que é o caso da armadora Adrianinha (37) e das pivôs Kelly (36) e Êga (38). 

Em coletiva de imprensa concedida em São Paulo para anunciar o time, o técnico Antonio Carlos Barbosa justificou sua escolha por jogadoras "rodadas". 

- Respeitando o trabalho do Luiz Augusto Zanon (ex-treinador do time) e a filosofia dele, essa renovação tinha que ser realizada ano a ano. Os resultados desse ciclo olímpico não davam garantia ou respaldo para renovação para uma Olimpíada, que é o ápice de um trabalho. Você não pode manter para uma Olimpíada uma equipe que não vem dando resultados - falou Barbosa. 

Das jogadoras relacionadas na pré-lista, duas já foram convocadas em definitivo para os Jogos Olímpicos Rio-2016: as pivô Érika, de 34 anos e que disputará sua terceira edição do evento, e Clarissa, de 28, que vai para sua segunda experiência olímpica. Barbosa pretende definir as 12 atletas para a competição nos três amistosos que fará contra a França entre 30 de junho e 5 de julho, na cidade francesa de Biarritz. 

Érika e Clarissa se apresentarão à Seleção Brasileira apenas em 16 de julho, pois estão em ação na WNBA pelo Chicago Sky. O restante do grupo já começa a treinar a partir desta quinta-feira, em Campinas.

Bate-bola
Antonio Carlos Barbosa, técnico da Seleção feminina de basquete, em entrevista coletiva em São Paulo

O Brasil ocupa a sétima posição no ranking mundial. O que isso representa para o país em uma eventual disputa por medalhas na Rio-2016?
Esse ranking mostra uma realidade. Estávamos em quarto, passamos para sétimo, perto de descer mais essa ladeira. Podemos sim disputar medalha. Com exceção dos Estados Unidos, ninguém pode garantir. Vejo que temos uma chance. Uma medalha já tem dono. São duas medalhas para sete ou oito equipes. Se a gente ver os resultados do Brasil na Olimpíada de 2012 e no Mundial, os resultados não foram tão ruins. Perder de 10 ou 12 pontos não é tão ruim, dependendo do jogo. É nessa análise que me apego para achar que não estamos tão distantes. 

O Brasil vai estrear na Olimpíada do Rio contra a Austrália, um time de quem a Seleção nunca venceu nos Jogos. O que representa fazer o primeiro jogo logo contra eles?
O retrospecto é favorável a eles. Dizem que também é medalha certa na Olimpíada, eu não vejo bem assim. O peso da estreia é grande, tenho exemplos disso. Sair jogando contra a Austrália, que é um jogo dentro daqueles "perdíveis", você prepara o time para o restante da competição. Não é ruim estrear contra a Austrália, já que é um adversário em um jogo "perdível".

Como será administrar em quadra, fisicamente falando, um grupo com jogadoras que já têm um pouco mais de idade?
Temos que trabalhar com uma rotação inteligente, sem comprometer. Às vezes tem treinador que faz uma rotação frenética. Isso é relativo. Você tem que fazer uma rotação consciente, respeitando a idade das jogadoras. 

A Seleção feminina não chega às quartas de final em uma competição grande (Olimpíada ou Mundial) desde 2006. O que isso significa para você?
Isso é muito triste, ver a situação em que se chegou. O time foi campeão do mundo, prata em Olimpíada, quarto colocado em Olimpíada há 12 anos. O que nós temos como obrigação é melhorar isso. Temos que dar um salto de qualidade. Nunca imaginei que as jogadoras do Brasil tivessem desaprendido a jogar basquete. E de repente as jogadoras desaprenderam? Não podemos nos contentar em aguardar que a equipe jogue na Olimpíada de 2020. Precisamos mudar isso agora. Não tenho medo de cobrança. A situação que chegou, não posso me contentar e aceitar. Podemos até piorar. Mas não é isso o que eu quero. Na Olimpíada, vejo que o outro grupo está mais interessante. No nosso tem Austrália, que é uma força, três do Pré-Olímpico Mundial, e o Japão, que é sempre time trabalhoso e ganhou da França em um amistoso. Nosso grupo não é brincadeira. Não podemos nem pensar em ficar em quarto lugar na chave, senão "morreu".