Presidente IPC

Sir Philip Craven, presidente do IPC (centro), anunciou a suspensão do Comitê Paralímpico Russo (Foto: Gonçalo Luiz)

Gonçalo Luiz e Felipe David
07/08/2016
13:02
Rio de Janeiro (RJ)

Em coletiva de imprensa realizada na tarde deste domingo, o presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Sir Phillip Craven, anunciou a decisão de suspender a filiação do Comitê Olímpico Russo. Com isso, os atletas do país ficam impedidos de participar das Paralimpíadas Rio-2016, que começam em setembro. Segundo o dirigente, a sanção precisava ser aplicada em nome do esporte limpo, justo e honesto.

O Comitê Paralímpico da Rússia terá 21 dias para recorrer da punição. A decisão do IPC diverge da tomada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), que decidiu entregar nas mãos das federações de cada esporte a decisão de suspender os atletas russos envolvidos. Para Craven, isso ocorre por conta de diferenças organizacionais entre as duas entidades:

- Eu penso que há uma diferença estrutural entre nossas organizações. O COI tem os seus membros, ele pode discutir com eles, pode discutir com as federações (de cada esporte, que são filiadas ao Comitê). Mas o Comitê Olímpico Russo não é um membro do COI - explicou Craven.

A punição anunciada neste domingo é resultado de uma investigação do próprio IPC com base no Relatório McLaren, divulgado pela WADA (Associação Mundial de Controle de Doping, em inglês) no dia 18 de julho. O relatório apontou um sistema para dopar atletas russos com o conhecimento e participação de autoridades esportivas e governamentais do país. Após averiguação, o Comitê Paralímpico Internacional constatou que pelo menos 11 para-atletas tiveram os resultados de seus exames fraudados pelo esquema em competições reconhecidas pelo IPC. Ao todo, 44 esportistas foram implicados.

- Eu creio que o governo russo falhou catastroficamente com seus para-atletas. Essa mentalidade de medalhas em vez de moral me enoja. A completa corrupção do sistema anti-doping é contrária às regras e princípios que estão no coração do esporte paralímpico. E isto mostra um flagrante desrespeito à saúde e bem-estar dos atletas, o que, simplesmente, não tem lugar no esporte paralímpico - afirmou Craven, justificando a decisão do Comitê.


A máxima entidade do desporto paralímpico ressaltou, ainda, que desde a abertura do processo de suspensão, deu a oportunidade ao Comitê Paralímpico Russo de se manifestar, tanto oralmente como por escrito. No entanto, as alegações não foram suficientes para convencer os membros do quadro decisório do Comitê Paralímpico Internacional, que decidiram unanimemente pela suspensão dos russos.

O IPC agora discute com os demais comitês olímpicos nacionais para definir como serão distribuídas as vagas russas nas Paralimpíadas, já que a Rússia teria 267 atletas em 18 modalidades nos Jogos de setembro no Rio. Enquanto isso, Sir Philip Craven espera, com a decisão anunciada neste domingo, ter passado um recado importante para o esporte.

- Sou avô. Tenho três netos. E tenho visto o esporte se transformando nessa cultura do doping. Eu tenho medo disso. O que estamos discutindo aqui hoje é uma coisa fundamental para a experiência de todos com o esporte: jogo limpo, competições justas - finalizou o dirigente.