Bernardo Cruz
09/08/2016
20:26
Rio de Janeiro (RJ)

Um ônibus destinado a funcionários da imprensa que cobrem os Jogos Olímpicos Rio-2016 foi atacado na noite desta terça-feira, na via expressa Transolímpica, no Rio de Janeiro. Passageiros suspeitam de bala perdida.

O veículo transportava 12 jornalistas, sendo três deles brasileiros, de Deodoro até o centro de mídia do Parque Olímpico. No meio do caminho, foi ouvido um estrondo muito forte, e duas janelas de vidro se estilhaçaram. 

No momento da pancada, parte dos passageiros entrou em pânico. Sem saber o que estava acontecendo, os jornalistas se protegeram se jogando no chão.
Estrangeiros que afirmaram ter experiência militar desconfiam que se trate de bala perdida. Policiais militares que escoltaram o ônibus após o ataque afirmaram se tratar de uma pedra. 

Ninguém se feriu gravemente. Um jornalista da Bielorrússia teve ferimentos nos dedos da mão. Um profissional que presta serviços pra um canal de comunicação turco também sofreu machucados leves.

COM A PALAVRA
Bernardo Cruz

A volta após um dia de trabalho em Deodoro, onde estou cobrindo o basquete feminino dos Jogos Olímpicos, ocorria sem maiores problemas. Era a quarta vez que passava pela Transolímpica, via que foi construída como parte do legado da competição e que liga a Barra, local onde fica o Parque Olímpico e o coração dos transportes que levam jornalistas para todas as arenas, ao bairro que fica na Zona Norte.

Acredito que estávamos já na metade final. Estava olhando o celular, despreocupado com o que acontecia ao redor. Em fração de segundos uma forte pancada. Penso comigo: "Alguém derrubou alguma coisa?". Viro para olhar o que acontece atrás e vejo um jornalista da Bielorrússia indo de encontro ao chão. Aquilo parecia ser algo tão surreal que a última coisa que passou pela minha cabeça é que fosse uma bala perdida.

Eram 12 jornalistas no ônibus. Nove deles vindo de fora. Três brasileiros, incluindo essa pessoa que escreve o relato. A violência faz tanta parte do nosso cotidiano, sobretudo aqui no Rio de Janeiro, que os gringos ficaram em pânico e nós, apesar do susto, ainda tínhamos o senso de que se havia risco, ele tinha ficado naquela fração de segundo e tentávamos, se era possível, passar paz.

O jornalista da Turquia está com o cotovelo sangrando. O bielorrusso tem um leve ferimento no dedo, ambos por conta do vidro. No caminho chega uma viatura da polícia. Eles nos escoltam. O policial que vai dentro do ônibus afirma que alguém tacou pedra. Traduzimos. Dois jornalistas, ambos americanos (um com experiência de cobertura de guerra e outra militar) são categóricos: foi bala.

Pelo sim, pelo não, seguimos nosso caminho. O desejo de todos era chegar ao destino final e seguir com nossa rotina de trabalho. Sinceramente, pra mim a ficha só caiu quando desci do ônibus. Difícil descrever a sensação. Apesar de calmo, eu me dava noção que algo muito grave passou perto de mim e de outras pessoas. A adrenalina não baixou. Não digo que nasci de novo. Mas certamente sou um cara de sorte, assim como meus 11 companheiros. Que os Jogos sigam com emoções para jornalistas, torcedores e a população apenas com emoções do esporte, de preferência com vitórias brasileiras.