Presidente do CPB - Andrew Parsons

Andrew Parsons mantém confiança por investimentos públicos no próximo ciclo  (Foto: Divulgação/CPB)

Igor Siqueira e Jonas Moura
20/09/2016
07:05
Rio de Janeiro

O Brasil terá o investimento necessário para chegar aos Jogos Paralímpicos de Tóquio (JAP), em 2020, em condições de brigar entre os melhores, como na Rio-2016. A projeção é feita pelo presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons.

Após receber um investimento recorde de R$ 375 milhões na tentativa de ficar entre os cinco primeiros em número de ouros (o país acabou em oitavo, uma posição abaixo de Londres-2012), a entidade não mostrou preocupação quanto ao futuro.

O orçamento do Comitê hoje é 95% composto por verbas públicas. Os 5% de origem privada correspondem ao patrocínio da Braskem, fechado no ano passado. Para os Jogos deste ano, o esporte paralímpico foi abastecido pela Caixa Loterias, que injetou R$ 120 milhões no quadriênio. O vínculo deverá ser renovado.

– Não houve nenhum indicativo de diminuição, mas não chegamos a falar em valores. Começaremos uma nova negociação nos próximos dias. Não tenho dúvida de que teremos pelo menos o mesmo nível de investimento que tivemos nos últimos quatro anos – disse o presidente do CPB.

Um dos trunfos do dirigente, que deixará o cargo ano que vem, está na legislação brasileira. Por lei, parte do dinheiro arrecadado com as loterias federais tem de ser utilizado na promoção da mesma. Como o esporte é uma forma de atingir o objetivo, a renovação do contrato é esperada.

– É um recurso que não vem sofrendo diminuição na proposta de orçamento que será encaminhada ao Congresso – declarou Parsons.

Outro argumento para o otimismo é o aumento na fatia da Lei Agnelo/Piva, aprovado no ano passado. Em 2016, a previsão de receita da entidade é de R$ 180 milhões, quase o triplo dos R$ 59,7 milhões registrados em 2012. Do total para este ano, R$ 130 milhões devem vir da Lei, que destina 2,7% da arrecadação bruta das loterias para os esportes.

O Ministério do Esporte, que viabilizou R$ 38 milhões ao CPB em convênios no último ciclo, indica que manterá o apoio. A pasta terá redução de orçamento, mas acredita que, sem a construção de arenas, haverá verba para atender atletas.

– Sabemos que o Ministério do Esporte sofrerá uma diminuição de verba, mas fomos eficientes para garantir recursos neste ciclo – disse Parsons.

Na Paralimpíada do Rio, o Brasil levou 14 ouros, sete a menos do que em Londres-2012.

RECEITAS DO CPB

Lei Agnelo/Piva
É a maior fonte de verba. Em 2016, deve gerar R$ 130 mi.
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Caixa Loterias
Parceira desde 2004, injetou R$ 120 mi no ciclo atual.
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Governo federal
No ciclo, Ministério do Esporte investiu R$ 38 mi em convênio.
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Time São Paulo
Programa do governo de São Paulo rendeu R$ 2,3 mi no ano.
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Privado
Patrocinadora do atletismo, a Braskem não divulgou o valor do contrato. A Nike fornece material esportivo.