Bernardo Cruz, Bruno Cassucci e Igor Siqueira
21/08/2016
08:20
Rio de Janeiro (RJ)

Por mais esfacelados que estivessem os adversários principais, vencer o torneio de futebol não era nada simples. Sobretudo porque a campanha brasileira começou com dois tropeços robustos - os empates com África do Sul e Iraque. Pressão e crítica pela falta de resultado, o que chegou a deixar a classificação ameaçada, cresceram muito. O resultado? Neymar foi desestabilizado, como relata Renato Augusto.

O meia, o mais experiente do grupo, precisou intervir, dividir o fardo, aproximando-se do craque, que dias depois viraria o protagonista da conquista do ouro - fez um golaço de falta no tempo regulamentar e foi o autor da cobrança derradeira na disputa contra a Alemanha.

- Conversei muito com ele. Eu vi que ele estava feliz e depois dos primeiros jogos ele estava meio para baixo. E aí eu sabia que tinha essa responsabilidade por conhecê-lo um pouco mais de tempo, por já ter jogado junto. É até difícil, porque ele chegou a um patamar que você fica até com receio de falar algumas coisas. Mas um mês trancado, resenha pra lá e pra cá, procurei deixar ele um pouco mais à vontade, dar também o ouvido. Sabia que se a gente perdesse ele, tudo iria acabar - revelou Renato Augusto, que emendou:

- Não é à toa que ele chamou o jogo, chamou a responsabilidade, não só hoje, mas também nos outros jogos. E o craque aparece no momento como esse, numa falta, foi um cara que fez a diferença.

Renato Augusto ainda minimizou uma possível diminuição da liderança de Neymar na Seleção principal com o atacante avisando que não usará mais a faixa de capitão. E citou o Corinthians.

- Às vezes dentro do grupo você tem três, quatro capitães. No Corinthians era assim. Neymar é um líder técnico, chama o jogo, acima da média. Independentemente de ter faixa ou não, ele vai ser um capitão - completou o meia, que não escondeu a euforia pela conquista no Maracanã:

- No último pênalti eu tava chorando, no hino eu tava chorando. A adrenalina fica muito clara.