Guilherme Cardoso
07/08/2016
19:35
Rio de Janeiro

O dia 30 de julho de 2012, talvez, tenha sido um dos mais tristes para a judoca Rafaela Silva. Não apenas pela eliminação dos Jogos Olímpicos de Londres-2012 por conta da aplicação de um golpe ilegal (uma catada de perna), mas também pelo o que ocorreu após a luta, quando discutiu com seguidores nas redes sociais por conta de insultos racistas. Agora, quatro anos depois, mais experiente e dentro de casa, a brasileira luta, de uma vez por todas, pela redenção.

A lutadora entra no tatame a partir das 10h (horário de Brasília), nesta segunda-feira, na Arena Carioca 2, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca.

Uma tatuagem representa muito bem o que tem sido a vida de Rafaela. A frase: “Só Deus sabe o que eu sofri para chegar até aqui” não poderia ser melhor. E o que foi uma grande decepção anteriormente se transformou em forma de superação.

- (Não esqueço) O sofrimento que eu passei saindo do tatame sendo carregada pela Rosicleia (Campos, a técnica). Todo dia quando acordo sem vontade de treinar, lembro daquela dor que senti, lembro que quase desisti do meu esporte. Isso me motiva cada vez mais para realizar meu sonho e poder provar, não para quem me criticou, mas para mim, que posso ser a melhor da minha categoria – afirmou a judoca do Brasil ao site do LANCE!.

Se a derrota na capital inglesa serviu de lição, o que ocorreu depois da eliminação ainda deixa uma mágoa. Rafaela sofreu com insultos racistas nas redes sociais após a queda. Chegou a discutir com alguns seguidores.
- Foi desnecessário. Falaram que lugar de macaco era na jaula e não na Olimpíada. O ícone do meu esporte é o (francês) Teddy Riner, oito vezes campeão mundial e campeão olímpico. Então, ele teria de perder, não tinha de estar no esporte ¬ - relembrou a brasileira, que um ano depois deu a resposta com o título Mundial no Rio de Janeiro.

- Em 2012, me criticaram. Em 2013, o macaco que era para estar na jaula foi campeão mundial. Fico triste, machuca, mas a gente vê que foi desnecessário – completou.

Agora, novamente em uma grande competição no Rio de Janeiro, perto da família e dos amigos, Rafaela espera repetir tal feito. E deixar para trás toda a frustração pela derrota de 2012 e ignorância de quem a criticou no passado.

- Aquele Mundial foi uma competição diferenciada, tinha muita vontade de conquistar uma medalha em casa. Só conseguia pensar que queria fazer uma grande competição, porque tinha sido massacrada com os comentários depois da Olimpíada. Poder competir em casa, com a família na torcida, meus amigos, companheiros de treino... Foi uma competição diferente. Espero repetir agora o que fiz naquele campeonato – declarou.