Rafael Silva

Rafael Silva foi medalha de ouro no Aberto de Buenos Aires (ARG) (Foto: Divulgação)

Jonas Moura
16/03/2016
08:05
Rio de Janeiro (RJ)

A 142 dias da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio-2016, Rafael Silva, o Baby, está mais vivo do que nunca. Quando a disputa com David Moura pela vaga do Brasil na categoria acima de 100kg parecia deixar o rival em vantagem, o medalhista de bronze em Londres (ING) colocou “fogo na brasa” e aumentou as incertezas sobre qual deles levará a melhor.

Após um começo de ano abaixo da expectativa, reflexo de uma lesão no tendão do músculo peitoral maior direito, em junho do ano passado, Rafael levou o ouro em dois eventos que disputou nas últimas semanas: o Aberto Pan-Americano de Buenos Aires (ARG) e o Aberto Pan-Americano de Lima (PER).

"É difícil voltar e ganhar confiança. Você perde o ritmo de lutas. Estou fazendo o meu máximo e pensando na evolução a cada dia. Não estou preocupado com o ranking. A pressão eu vou deixar para os outros (risos)" - Rafael SIlva, o Baby

– A lesão foi uma experiência que eu nunca tinha vivido antes. É difícil voltar e ganhar confiança. Você perde o ritmo de lutas. Estou fazendo o meu máximo e pensando na evolução a cada dia. Não estou preocupado com o ranking. A pressão eu vou deixar para os outros (risos) – disse o judoca, ao LANCE!.

A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) ainda quer observar os atletas nas competições que restam até a data final estabelecida pela Federação Internacional (FIJ, na sigla em inglês) para inscrever o convocado, no dia 30 de maio. Mas a entidade já estabeleceu o que pode ser o diferencial na difícil decisão.

– Diria que o divisor de águas pode ser o Pan-Americano (entre 27 e 30 de abril, em Havana-CUB), pois poderei inscrever os dois. Quem for melhor, vai levar certa vantagem. Tem tudo para ser uma decisão – disse Ney Wilson, gestor de alto rendimento da CBJ.

"Diria que o divisor de águas pode ser o Pan-Americano, pois poderei inscrever os dois. Quem for melhor, vai levar certa vantagem" - Ney Wilson, gestor da CBJ

Hoje, Rafael está em 13º no ranking mundial, com 1.307 pontos. Mesmo com as últimas conquistas, o atleta segue uma posição abaixo de David, que tem 1.353. Os próximos desafios dele são o Grand Prix de Tbilisi (GEO), entre 25 e 27 de março, e o Grand Prix de Samsun (TUR), de 28 a 30 do mesmo mês.

Embora os últimos torneios não tenham dado grandes pontuações (foram 100 pontos), Baby teve um motivo para se sentir mais perto da Olimpíada. No Peru, derrotou o russo Renat Saidov, número nove do mundo, na decisão pelo título.

– Eu precisava ganhar de um cara forte como ele. A vitória me deu mais confiança – disse o brasileiro.

A CBJ tem levado Rafael Silva a mais torneios em 2016 para compensar lesão dele em 2015.

Rafael Silva conquistou a medalha de ouro no Aberto Pan-Americano de judô, no Peru (CBJ/Divulgação)
Rafael Silva conquistou a medalha de ouro no Aberto Pan-Americano de judô, no Peru (CBJ/Divulgação)

BATE-BOLA
Rafael Silva Judoca do Brasil, ao LANCE!

‘Eu não podia mexer o braço’

O que mudou em sua preparação desde que voltou da lesão?
Estou dando bastante atenção à prevenção. Procuro me recuperar bem de um treino a outro e faço um trabalho legal de suplementos. A composição corporal ficou em uma medida interessante. Estou melhor do que antes de me machucar, quando vivia uma fase de troca de peso.

Como está hoje fisicamente, tecnicamente e emocionalmente?
Sempre comparo meu momento atual com o primeiro dia em que saí da sala de cirurgia. Eu não podia nem mexer o braço. Estou conseguindo evoluir. As últimas competições que disputei foram importantes para dar confiança.

O que é preciso fazer para assegurar a vaga e ir bem aos Jogos?
Minha estratégia é ficar sempre em treinamentos de campo no exterior durante um bom período, porque no meu clube, o Pinheiros, eu não tenho muitos adversários do meu peso. É preciso ter esse feeling, de segurar nos atletas mais pesados e sair na porrada com os caras do meu tamanho.